Planejamento da Segurança Pessoal Privada

“O planejamento adequado pode evitar equívocos que geram problemas e falhas na segurança pessoal, minimizar o grau de risco a níveis possíveis de se executar a proteção proposta, e atuar em conformidade com a legislação pertinente”.

O planejamento da segurança pessoal começa antes mesmo da execução do serviço, antes até mesmo do acordo comercial ser fechado entre a empresa e o contratante (que pode ser uma única pessoa, um grupo de pessoas ou até mesmo todos os membros de uma família).

São perfis bem diferentes, que vão desde pessoas importantes ou influentes, artistas famosos, jogadores de futebol, top models, empresários, executivos, altos funcionários com privilégios especiais, autoridades políticas ou religiosas, magnatas ou príncipes do petróleo, etc.

O fator imprescindível é que não se pode deixar para conhecer as características do protegido, o seu grau de risco e o escopo da missão, somente no momento da execução do serviço.

O perfil do protegido e todos os fatores especiais que façam requerer para ele uma segurança pessoal que lhe dê proteção personalizada (e muitas vezes em horário integral) devem ser levantados e levados em conta antes de tudo.

O entendimento sobre a situação do protegido é que vai determinar o risco envolvido e é exatamente isto que vai influenciar o planejamento para definir o dimensionamento da equipe de segurança pessoal; os equipamentos, armamentos, veículos, blindagens, etc.

Enfim, especificação da logística e quantificação de pessoal, bem como tudo que será necessário para a realização e êxito da segurança a ser proposta e que deve estar dentro do nível ideal, que não pode ser superdimensionada e muito menos subdimensionada.

Distinguir se o protegido é um VIP (Very Important Person – tradução literal para “Pessoa Muito Importante”) ou VIT (Very Important Target – tradução literal para “Alvo Muito Importante”) e definir essa diferença é determinante para dimensionar a logística e pessoal envolvido na proteção que se pretende.

SEGURANÇA PESSOAL SEM PLANEJAMENTO PRÉVIO

A falta do planejamento prévio para a segurança pessoal pode gerar equívocos que geram problemas, que geram falhas e que geram erros na segurança pessoal, tais como:

Segurança Pessoal Superdimensionada: dispendiosamente cara e operacionalmente excessiva e até mesmo extravagante (a discrição é fator importante na segurança pessoal) pode até ser eficiente, mas dificilmente será eficaz, pois extrapolou a necessidade e a relação proteção x protegido x custo.

Haverá um valor financeiro e operacional maior do que o necessário, mesmo que uma vida não tenha preço, pode ser que no final não se consiga pagar, e então se busca uma alternativa mais em conta (subdimensionada) que pode não ser uma proteção eficaz caso um ataque ao protegido seja concretizado.

Segurança Pessoal Subdimensionada: leva-se em conta o baixo custo para atender o cliente e ganhar o contrato, mas se esquece (ou se omite) que o maior patrimônio que a segurança pessoal protege é a vida do cliente e, neste caso, não dá pra fazer economia ou improvisos tais como o segurança ser ao mesmo tempo motorista, carregador de sacolas, baba, ou seja: equipe de um homem só.

SEGURANÇA PESSOAL COM PLANEJAMENTO PRÉVIO

Com o planejamento prédio evitam-se equívocos, muitas vezes danosos e irreversíveis, contudo não existe risco zero em nenhum sistema de segurança e nenhum planejamento de segurança de nenhum tipo pode garantir que um ataque não seja perpetrado contra qualquer Objeto de Proteção que seja patrimonial ou pessoal.

A tendência é minimizar o grau de risco a níveis possíveis de se executar a proteção proposta com prevenção e reação na medida necessária sem nenhum tipo de excesso:

Segurança Pessoal Ideal: tem como regra o planejamento sempre anterior ao evento:

  • Antes do contrato – planejamento do custo baseado no perfil do protegido x risco envolvido;
  • Durante o contrato – todos os dias – planejamento das rotinas e rotas;
  • Sempre alerta – termina o serviço com o mesmo estado de atenção com o qual se iniciou), é discreta (trajes de acordo com o ambiente, não se faz segurança pessoal de terno o tempo todo;
  • Na praia – roupas leves;
  • No esporte – roupas esportivas;
  • Ambientes formais – terno discreto azul marinho, preto ou cinza escuro, nunca usar gravatas e camisas de cores extravagantes e chamativas).

Ter como norma geral de ação a prevenção e não o confronto desnecessário que pode por em risco a vida do cliente e dos próprios seguranças, além da possibilidade de vitimas com balas perdidas, a reação armada somente em ultimo caso e altamente treinada e condicionada.

Seu dimensionamento logístico e de pessoal é estudado de acordo com a legislação, o risco e investimento do cliente, sem exageros, mas com extremo profissionalismo e a partir de criteriosa análise de risco e vulnerabilidades, dentro do objetivo da missão, e na execução da tarefa nunca pode haver a hipótese de improvisos – segurança pessoal é extremamente profissional sempre.

Não se admite a contratação de empresas clandestinas, não se admite brutamontes de terno e óculos escuros, lutadores no intervalo da academia, policiais de folga ou ex-policiais / ex-militares fazendo bico para aumentar a renda.

O exercício da atividade de segurança pessoal depende da autorização e fiscalização do Departamento Polícia Federal pela Delegacia de Controle de Segurança Privada – DELESP, que fiscaliza as empresas de segurança e os seus profissionais de segurança pessoal privada, atualmente denominado de Vigilante de Segurança Pessoal Privada – VSPP, que é o único profissional formado, habilitado e devidamente regulamentado para realizar a atividade de segurança pessoal privada em conformidade com as leis vigentes.

Fora desse escopo são clandestinidade e exercício ilegal da profissão que constitui, em ambos os casos, crime, além de expor totalmente a segurança pessoal do protegido por não haver nenhuma garantia de comprometimento com o serviço ou conhecimento técnico para a execução da atividade.

O PLANEJAMENTO DA SEGURANÇA PESSOAL DEVE ABRANGER:

# Analise do histórico e índices de violência e crimes na região em que se vai atuar;

# Avaliação dos riscos possíveis e prováveis envolvendo o protegido em locais públicos, de trabalho, lazer ou residência, quer seja no ambiente interno ou externo;

# Estudo das rotas alternativas e paralelas em todo o deslocamento do protegido em sua rotina, esporádico ou viagens, quer seja motorizado ou a pé; e

# Monitoramento diário de manifestações, acidentes ou outro evento que gere risco de qualquer natureza ao protegido em deslocamento ou mesmo em local determinado em qualquer momento ou situação.

CONFECÇÃO, CONTROLE E AVALIAÇÃO DO PLANEJAMENTO

A confecção, controle e avaliação do planejamento dever sempre ser executada por profissional com formação adequada em Gestão de Segurança ou por Consultor de Segurança credenciado, principalmente quando se trata de segurança pessoal, para que não haja falhas no planejamento.

Pois no caso de uma eventual ação contra a integridade do bem sob a proteção da segurança pessoal não há reposição, a indisponibilidade do bem é permanente, pois o Objeto de Proteção é a vida do cliente.



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