Policia Civil monta fuzil e realiza disparos com material apreendido, comprovando que arma não é de Airsoft

A Polícia Civil comprovou nesta sexta-feira (15) que os fuzis incompletos encontrados na casa de Alexandre Mota Souza, funcionam como arma letal. O delegado titular da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), Drº Marcus Amim, usou as peças apreendidas na casa de Alexandre para montar um fuzil M16, adicionando apenas um cano e o carregador, únicas partes que não foram encontradas durante a busca e apreensão realizada na última terça-feira (12), no Méier.

Para completar o armamento, o delegado usou cano e carregador que faziam parte do acervo da polícia civil. “Não pode ser uma arma de airsoft, porque o airsoft tem um mecanismo diferente de uma arma de fogo. O airsoft não trabalha com combustão, trabalha com ar comprimido. Tem algumas peças que foram encontradas na casa do Alexandre que só são utilizadas em armas de fogo, como o ferrolho, por exemplo. Não existe nenhuma peça das apreendidas que possa ser usada apenas em airsoft porque o lower receiver é em aço ou em alumínio e esse tipo de material não é usado em arma de lazer”, explicou Amim.

Peças que fazem parte da apreensão na casa do amigo de Ronnie Lessa — Foto: Patricia Teixeira/G1 Rio

Fernando Santana, advogado de Ronnie Lessa, disse que a defesa espera a realização de perícia no armamento apreendido na casa do amigo do PM reformado. Segundo o advogado, o exame pode comprovar que as armas eram de brinquedo. “Na verdade, estamos aguardando a perícia porque ali, a princípio, não está configurado nenhuma arma de fogo em si. Futuramente, dependendo da perícia, pode ser até uma arma de brinquedo ou uma airsoft. Na verdade (ele alegava que era) para airsoft, entendeu?”, afirmou o advogado.

“Para fazer uma análise de qualquer material é um pressuposto básico de qualquer perícia ter acesso ao material. Falar por imagens é muito complicado”, contestou Amim. Durante o depoimento na Divisão de Homicídios, Lessa assumiu que todo o material era dele, mas tentou se defender dizendo que parte era para ser vendida para colecionadores e que outra parte era de airsoft. “Com a perícia já constatamos que não se trata de airsoft e ele não tem autorização para vender essa quantidade de material para colecionador nenhum”, acrescentou o delegado da Desarme.

Armas estavam desmontadas e guardadas em caixas — Foto: Patrícia Teixeira/G1

Todos os 117 fuzis M-16 incompletos achados na casa de Alexandre Mota de Souza Souza, amigo de Ronnie Lessa, são falsificados, de acordo Marcus Amim. Segundo investigadores, várias peças tinham sinalizações dos fabricantes HK e Colt, mas as marcas foram forjadas. Apesar da falsificação, se montadas, as armas teriam o mesmo potencial destrutivo de um fuzil original. “Atira, mata e é uma réplica muito bem feita”, explicou o delegado.

“As que estão com a inscrição da Colt são tão perfeitas que, num primeiro momento, achamos que seriam originais, mas também são falsas. Todas as réplicas muito bem feitas, acabamento excelente e matéria prima excelente também”, explicou Amim. A polícia avaliou o valor total dos fuzis encontrados em R$ 3,5 milhões. Se estivessem completos, custariam cerca de R$ 4 milhões. Se montados os fuzis, cada arma pode valer de R$ 30 mil a R$ 50 mil no mercado.

  • Com informações do G1, por: Patrícia Teixeira

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