Por que a Colômbia é o primeiro parceiro da OTAN na América latina?

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Em 2019, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) comemorou o seu 70º aniversário. Há dois anos, a OTAN deu as boas-vindas à Colômbia como país parceiro, até agora o único na América Latina.

A OTAN, uma aliança de 29 nações, logrou firmar um acordo de parceria com a Colômbia após a assinatura do acordo de paz entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), fato que contribuiu para que o ex-presidente colombiano Juan Manuel Santos (2010-2018) recebesse o Prêmio Nobel da Paz.



O acordo de parceria promove a cooperação entre a Aliança Ocidental e a Colômbia, através da educação e de exercícios em áreas que incluem operações cibernéticas, terrorismo, crime organizado e segurança marítima.

A Colômbia e a OTAN já trabalham conjuntamente em diversas áreas e, com o acordo, o alcance e a intensidade dessa cooperação terão uma grande expansão.

RECONHECIMENTO ESPECIAL

A Colômbia merece esse reconhecimento tão especial por seu sucesso na implementação de uma estratégia de segurança democrática que conseguiu transformar o país, que estava prestes a ser considerado um Estado fracassado no final da década de 1990, em uma nação atualmente estável, muito menos violenta e próspera economicamente.

Se existe um estudo de caso positivo sobre a importância de desenvolver a capacitação de parceiros, é a respeito da Colômbia. O país sul-americano venceu a guerra contra as FARC e outras organizações armadas. Isso prova que é possível alcançar a segurança sob os auspícios da democracia.

Diferentemente da maioria dos países da América Latina, a Colômbia não teve regimes militares nos anos 1970 e 1980. No entanto, até 2002, o âmbito da defesa e da segurança era considerado um domínio exclusivo dos militares e da polícia nacional, ambos subordinados ao Ministério da Defesa.

Foi somente depois de 2002 que os civis – primeiramente durante o governo do presidente Álvaro Uribe (2002-2010) – assumiram a responsabilidade, junto com os militares, na luta contra as FARC e contra outras organizações armadas, tanto no apoio popular demonstrado em manifestações, quanto no apoio ao governo, e através de quatro “impostos de segurança” sobre a elite e as empresas. Ou seja, a guerra contra os inimigos internos envolveu a mobilização geral e o apoio econômico de diversos setores da sociedade colombiana.

UM ALIADO CONFIÁVEL

A Colômbia também tem sido um aliado confiável em uma vizinhança caracterizada por tendências populares e por países da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA). Atualmente, a Colômbia exporta segurança, como afirmaram o então presidente dos EUA Barack Obama (2009-2017) e Santos, na VI Cúpula das Américas em Cartagena, em abril de 2012.

Até fevereiro de 2019, as Forças Militares e Policiais da Colômbia, através do Plano de Ação para a Cooperação de Segurança Regional, já treinaram 4.000 integrantes de equipes de segurança da Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá e República Dominicana. Mesmo que o governo dos EUA tenha apoiado – e continue a apoiar – a Colômbia em sua guerra contra as FARC e outros grupos armados, inclusive no processo de paz, isso é feito de forma complementar.

Os militares americanos presentes no país, muito inferiores a 1.000, nunca se envolveram nos conflitos. No entanto, esses militares ofereceram educação, treinamento e inteligência para as forças colombianas.

Os EUA prestaram assistência técnica e de equipamentos aos colombianos, além de apoio econômico. É preciso reconhecer que a OTAN tem um longo histórico de apoio aos países comprometidos em promover a segurança internacional sob os auspícios da democracia.

Primeiramente, nas transições políticas de regimes autoritários para a democracia nos países da Península Ibérica durante as décadas de 1970 e 1980, a OTAN auxiliou Portugal e depois a Espanha – mesmo antes da adesão desta última em 1982 –, facilitando o estabelecimento do controle civil democrático sobre as forças armadas.

Ambos os países foram extremamente ativos na manutenção da paz internacional e na assistência humanitária com a OTAN, bem como com a União Europeia e a Organização das Nações Unidas (ONU).

PROMOVENDO A SEGURANÇA INTERNACIONAL

Mais tarde, com o fim da Guerra Fria e a adesão de 13 países do antigo Bloco Soviético, a OTAN mais uma vez apoiou a consolidação da democracia, especialmente nas áreas de segurança, defesa e inteligência.

Todos esses países se empenham em promover a segurança internacional por meio da participação na manutenção da paz, e a maioria deles na Força Internacional de Assistência à Segurança e na Missão de Apoio Decisivo no Afeganistão.

O sucesso da Colômbia, nacional e regionalmente, agora será ainda maior com o acordo de parceria de benefício mútuo com a OTAN. Além do apoio prévio predominante dos Estados Unidos à Colômbia, através de treinamento, educação e exercícios, os colombianos podem se beneficiar com as normas, padrões e know-how operacional adquiridos através da aliança com a OTAN.

No mínimo, tudo isso facilitará uma possível participação futura da Colômbia em operações e missões lideradas pela ONU. Por outro lado, a Colômbia tem uma experiência única na luta contra dispositivos explosivos improvisados, em contrainsurgência, contra o narcotráfico e na desminagem humanitária.

Além disso, a experiência do Ministério da Defesa liderado por civis, que teve Santos como ministro entre 2006 e 2010, é extremamente valiosa para o Programa de Criação de Integridade da OTAN, ao prestar assistência prática e assessoria para fortalecer a integridade, a responsabilidade e a transparência nos setores de defesa e segurança.

Em resumo, a incorporação da Colômbia como parceiro da OTAN é um reconhecimento das grandes conquistas do país em termos de segurança, o que traz implicações muito positivas para ambos.

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