Porto de Santos planeja ação de segurança nuclear

Cargas radiológicas e nucleares são transportadas no Porto (Luigi Bongiovanni/ AT)

Planejar ações para uma eventual ocorrência envolvendo material nuclear ou radiológico no Porto de Santos foi o objetivo de um evento que reuniu mais de 60 representantes de 22 órgãos no cais santista.

Nunca houve um acidente deste tipo no complexo marítimo e a possibilidade é remota, mas especialistas garantem que o planejamento é necessário para otimizar o tempo de resposta e reduzir os riscos de um sinistro.

O 1º Exercício de Segurança Física Nuclear em Porto aconteceu na sede da Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP), entre os armazéns 27 e 29 do Porto de Santos, entre terça (26) e quinta-feira (28).

Além da autoridade marítima, representantes das polícias Civil, Militar, Federal e Federal Rodoviária participaram do encontro, assim como o Exército, a Aeronáutica e órgãos como a Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Conportos).

O exercício teve como objetivo estabelecer planos de ação com base em recomendações da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) e da Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA), vinculadas à Organização das Nações Unidas (ONU).

Cargas radiológicas e nucleares são transportadas no Porto. Para se ter uma ideia, no País, pelo menos 80 hospitais utilizam fonte de cobalto, que precisa ser renovada a cada cinco anos, em tratamentos médicos.

Equipamentos e insumos para medicina nuclear estão nesta lista, assim como mercadorias para tratamento de câncer. Ocorrências durante o transporte marítimo até o Porto de Santos e também durante o desembarque das cargas foram estudadas no evento.

O grupo também avaliou a possibilidade de problemas durante transferência de modal e a saída para o destino das mercadorias, pontos considerados críticos do processo.

“O Porto, a gente entende como uma infraestrutura crítica que deve ser protegida pelo Estado brasileiro. Uma iniciativa dessa natureza corrobora para que a gente esteja preparado caso, no futuro, a gente se depare com situações dessa natureza”, afirmou o diretor de Operações da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a autoridade portuária de Santos, Marcelo Ribeiro de Souza.

Probabilidade 

Para o diretor do Sistema de Proteção ao Programa Nuclear Brasileiro, o capitão de mar e guerra Gleiber Banus Barbosa, o exercício de segurança foi inédito no País e ocorrências deste tipo são raríssimas.

“A possibilidade de ocorrência é baixíssima porque nós já seguimos as recomendações de agências que o Brasil já é signatário. Isso gera uma confiabilidade do transporte. Esse tipo de incidente com carga nunca aconteceu”, explicou.

A escolha do Porto de Santos para sediar o evento partiu do presidente da Conportos, o delegado da Polícia Federal Marcelo João da Silva. Para ele, é fundamental o fortalecimento da gestão integrada entre os órgãos.

“A Conportos tem um interesse muito grande nesse exercício justamente para fomentar a gestão de risco. Algo pode dar errado, então vamos, preventivamente, agir para estudar o que pode dar errado, explorar vulnerabilidades, conhecer as ameaças antes que isso aconteça. O risco é muito baixo, mas as consequências seriam desastrosas, não só para a população, para economia, para a imagem do programa nuclear brasileiro. A gente tem que estar um passo à frente”, destacou.

Fonte: A Tribuna

You may also like