Presidente turco ameaça com ofensiva militar ‘iminente’ na Síria

Após semanas de tensões, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou nesta quarta-feira (19), uma ofensiva militar “iminente” na província de Idlib, na Síria, em meio à ofensiva do regime de Bashar al-Assad contra grupos armados da oposição que atuam na região, parte deles com apoio da Turquia.

Erdogan — que no final do ano passado enviou soldados a Idlib para combater milícias curdas que acusa de atuar em conjunto com separatistas curdos da Turquia — falou em “contagem regressiva” e disse que se tratava da última advertência.

— A operação em Idlib é iminente — disse ele em um discurso no Parlamento. — Fizemos todos os preparativos para poder implementar nossos próprios planos — continuou. — Estamos decididos a fazer de Idlib uma região segura para a Turquia e para a população local, a qualquer custo.

No início de fevereiro, as tensões aumentaram quando 13 soldados turcos estacionados em Idlib morreram em bombardeios sírios. Apoiadas pela aviação russa, as forças de Damasco iniciaram em dezembro a ofensiva para recuperar o último reduto da oposição armada, que inclui grupos jihadistas ligados à al-Qaeda.

As tensões provocaram atritos entre Ancara e Moscou, que vinham cooperando na Síria desde 2016. A Turquia vê com maus olhos o avanço do regime em Idlib, alegando temer um novo fluxo de deslocados para seu território.

De Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, advertiu Erdogan de que uma ofensiva seria “uma operação contra o poder legítimo” da Síria, o que configuraria “o pior cenário”.

O emissário da ONU para a Síria, Geir Pedersen, por sua vez, alertou o Conselho de Segurança das Nações Unidas para o “risco iminente de escalada”. Na terça-feira, a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, acusou os militares sírios de bombardearem instalações civis, como hospitais e campos de refugiados.

— Não posso informar de nenhum avanço para dar fim à violência no noroeste (sírio) ou retomar o processo político —  lamentou Pedersen em uma reunião mensal do conselho.

A situação humanitária em Idlib é catastrófica. Segundo a ONU, 900 mil pessoas, a grande maioria mulheres e crianças, foram deslocados desde o início de dezembro. Em guerra desde 2011, o país nunca havia experimentado um êxodo desses em um período de tempo tão curto.

Em uma entrevista coletiva em Istambul nesta quarta-feira, uma coalizão de ONGs sírias, a SNA, pediu “ao mundo que desperte e detenha o massacre” em Idlib. Segundo a SNA, “os acampamentos de refugiados estão lotados e os civis não têm outra opção a não ser dormir ao ar livre”, apesar das baixas temperaturas do inverno.

As ONGs estimam em cerca de US$ 335 milhões a ajuda de urgência para atender às necessidades básicas dos deslocados que se encontram perto da fronteira turca, amontoados aos milhares em acampamentos improvisado.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), mais de 400 civis, incluindo 112 crianças, morreram desde que o regime de Assad e a aviação russa lançaram a ofensiva.

Das 550 instalações sanitárias da região, apenas metade continua funcionando, lamentou na terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), os dois últimos hospitais operacionais no oeste da província de Aleppo, vizinha a Idlib, foram afetados pelos ataques.



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