PRINCIPAIS COMBATES DA FEB ATAQUES A MONTE CASTELLO SOB O COMANDO BRASILEIRO (Relato do Ten Paiva – Veterano da FEB – 1º Btl do Regimento Sampaio, transcrito por Gen Bda Ref Rocha Paiva, filho do Veterano)

PRINCIPAIS COMBATES DA FEB

ATAQUES A MONTE CASTELLO SOB O COMANDO BRASILEIRO

(Relato do Ten Paiva – Veterano da FEB – 1º Btl do Regimento Sampaio, transcrito por Gen Bda Ref Rocha Paiva, filho do Veterano)

 

NOTA EXPLICATIVA: Gen Bda Ref Luiz Eduardo Rocha Paiva

O rompimento das posições defensivas alemãs nos Montes Apeninos – Linha Gótica (avançada) e Linha Gengis Cã (aprofundamento) – nos Montes foi onde ocorreu a grande
batalha da FEB, antes da rendição da divisão alemã em Fornovo.

Batalhas duram semanas ou meses. São sucessivos combates – avanços, recuos, paradas temporárias e avanços. Monte Castello era um ponto forte na Linha Gótica e foi um dos duros combates (não batalha, pois essa foi a dos Apeninos) para rompê-la.
Por ser apenas uma divisão de Infantaria a pé, a essência da história da FEB teria de ser
o combate de pequenas frações e Cia, Btl e Rgt. Soldados, cabos, sargentos, tenentes,
capitães e comandantes de unidades venceram o maior desafio do guerreiro – enfrentar
e derrotar o inimigo com EQUILÍBRIO EMOCIONAL, COMPETÊNCIA e CORAGEM.

1. ATAQUE DE 29 DE NOVEMBRO DE 1944

Comandante – Gen Zenóbio da Costa
Tropa Brasileira: 1º Btl do 1º RI; 3º Btl do 11º RI e 3º Btl do 6º RI.

Além dos apoios de Artilharia, Engenharia e Transmissões [hoje Comunicações], da própria FEB, contou esse grupamento de ataque com três pelotões de carros de combate americanos.

Observando-se as datas dos acontecimentos, da segunda quinzena de Nov 44, bem se pode avaliar o intenso trabalho da tropa brasileira, envolvida em sucessivas ações, uma após outra. Tomei parte e tive o meu batismo de fogo nesse ataque do dia 29 Nov. Marchamos praticamente a noite toda, através da lama e debaixo de chuva, chegando extenuados à base de partida [para agravar a situação, na noite do dia 28, os alemães conta-atavaram e retomaram as alturas de Belvedere, desalojando a tropa americana e ficando em condições de flanquear a força brasileira no ataque].

Desencadeado o ataque, o Batalhão Uzêda foi surpreendido por fogos ajustados de flanco,
pois que, de Mazancanna [ver anexo], elevação que dominava nossa base de partida e eixo
de progressão, as metralhadoras e morteiros alemães ceifavam os nossos fuzileiros. Apesar
disso, conseguimos realizar razoável progressão até o meio dia. Porém, na parte da tarde, o nosso batalhão já contava com mais de uma centena de baixas e, sob pesados bombardeios e sucessivos contra-ataques alemães, retornou às posições iniciais. Sofremos
157 baixas, das 190 do total.

Desejo relembrar um fato vivido no PC do batalhão Uzêda, nesse dia 29 Nov. Já à noite, quando os alemães lançaram o último contra-ataque, o Cmt Batalhão ordenou a defesa aproximada do seu PC por cozinheiros, mensageiros e motoristas, pelos elementos à mão que pudessem ser empregados. Lembro-me quando ele disse: “Daqui não sairemos, sem que tenhamos de lutar até o último homem”. O contra-ataque do alemão não obteve sucesso.

2. ATAQUE DE 12 DE DEZEMBRO DE 1944

Comandante Gen Zenóbio da Costa
Tropa brasileira: 2º e 3º Btl do 1º RI e 1º e 3º Btl do 11º RI.

Além dos apoios de Artilharia, Engenharia e Transmissões, da própria FEB, contou esse grupamento de ataque com uma Cia de carros de combate americana.

Um bombardeio prematuro da Artilharia americana sobre Belvedere, quebrou a surpresa do ataque. O emprego permanente de fogos ajustados, o valor do inimigo e ainda os fogos de revés, de Mazancanna e Fornace foram quebrando o ímpeto do ataque e, às 1500h, o Cmt do Grupamento determinou o recuo para as posições de partida.

O Marechal Mascarenhas na sua obra “A FEB pelo seu Comandante” dá a cifra de 140 baixas para os dois batalhões atacantes [penso ser o 1º escalão] e tece calorosos elogios à atuação do batalhão de saúde na remoção e tratamento dos feridos.

ENSINAMENTOS DO ATAQUE DE 12 DE DEZEMBRO

“Impunha-se um reajustamento geral nas tropas brasileiras. O seu passivo de mil baixas, num período de 28 jornadas, estava a exigir uma recuperação de efetivos, antes de qualquer outra ofensiva [além da necessidade completar o adestramento e ganhar experiência de combate, ainda incipientes para o desafio]. O revés que a tropa brasileira amargou nessa dolorosa jornada, contudo, foi pródigo de ensinamentos. O ataque do dia 12, como os anteriores, evidenciou o insucesso de ações isoladas, com meios escassos, sobre Monte Castello. Para calar a resistência desse baluarte germânico, era preciso atacar o conjunto Belvedere-Gorgolesco-Castello-Torraccia, empregando um mínimo de duas divisões, bem apoiadas em artilharia e aviação. Defender uma frente de 15 Km, francamente dominada pelo inimigo, e simultaneamente, atacar um objetivo da extensão e do valor de Monte Castello, mal dispondo das comunicações na sua zona de combate e sob terrível ameaça de flanco (Monte Belvedere), eram duas tarefas que sobremaneira exorbitavam a capacidade de uma divisão.

Esta opinião firmemente defendida pelo chefe brasileiro perante o Comando do IV Corpo
(comando dos EUA que enquadrava a FEB), foi afinal vitoriosa.

[NO PRÓXIMO TEXTO, O ATAQUE VITORIOSO DE 21 DEFEVEREIRO DE 1945]





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