PRINCIPAIS COMBATES DA FEB (Relato do Ten Paiva – Veterano da FEB – 1º Btl do Regimento Sampaio, transcrito por Gen Bda Ref Rocha Paiva, filho do Veterano)

PRINCIPAIS COMBATES DA FEB

(Relato do Ten Paiva – Veterano da FEB – 1º Btl do Regimento Sampaio, transcrito por Gen Bda Ref Rocha Paiva, filho do Veterano)

NOTA EXPLICATIVA: Gen Bda Ref Luiz Eduardo Rocha Paiva

O rompimento das posições defensivas alemãs nos Montes Apeninos – Linha Gótica (avançada) e Linha Gengis Cã (aprofundamento) – nos Montes foi onde ocorreu a grande batalha da FEB, antes da rendição da divisão alemã em Fornovo.

Batalhas duram semanas ou meses. São sucessivos combates – avanços, recuos, paradas temporárias e avanços. Monte Castello era um ponto forte na Linha Gótica e foi um dos duros combates (não batalha, pois essa foi a dos Apeninos) para rompê-la. Por ser apenas uma divisão de Infantaria a pé, a essência da história da FEB teria de ser o combate de pequenas frações e Cia, Btl e Rgt. Soldados, cabos, sargentos, tenentes, capitães e comandantes de unidades venceram o maior desafio do guerreiro – enfrentar e derrotar o inimigo com EQUILÍBRIO EMOCIONAL, COMPETÊNCIA e CORAGEM.

 

MONTE CASTELLO I

ANTECEDENTES

Desde 13 de setembro, o primeiro escalão da FEB [base no 6º RI de Caçapava-SP] vinha combatendo com sucesso, exceto por um pequeno revés na frente de Barga, quando teve que voltar às posições iniciais de Sommocolona, em face de violento contra-ataque alemão.
O saldo apresentado pelas operações encetadas era realmente positivo: 40 Km de progressão na avançada para o vale do Rio Pó; 208 prisioneiros capturados; várias cidades
liberadas; captura de uma fábrica de munições e acessórios para aviões. Pagamos também
um bom preço de 290 baixas.

O acentuado desgaste das forças do V Exército dos EUA, particularmente dos seus Corpos
de Exército na frente de Bolonha, levou o General Clark a realizar um reajustamento geral
na sua força e a uma pausa nas operações para reaparelhamento, recuperação e repouso,
visando prosseguir na ofensiva em dezembro.

Fruto dessa decisão a nossa tropa foi deslocada para o vale do Rio Reno, onde iria prestar
inestimável cooperação à vitória dos aliados na Itália, cobrindo-se de glória em sucessivos
combates.

Já o 2º escalão, no estacionamento em Pisa, ultimava sua preparação para entrar na luta.

OS DOIS PRIMEIROS ATAQUES AO MONTE CASTELLO

À medida que as tropas foram chegando ao seu novo destino, o 6º RI foi realizando as substituições dos americanos, devendo manter as posições recebidas. Foi um percurso difícil, em 120 Km de estradas serpenteantes particularmente na Serra de Pistoia. A 09 de novembro o Gen Mascarenhas assumiu o setor Marano-Riola.

Era admitido que, só após 10 de dezembro, o Regimento Sampaio e o 11º RI teriam ultimado o adestramento necessário a ficarem em condições de emprego. Foram então realizadas ações iniciais pelo 6º RI, visando à conquista de Castelnovo; com a conquista preliminar de cota 670 (2º / 6º RI), alturas de Boscassio, Sasso e Cavalloro, o que facilitaria as ações posteriores.

Os alemães contra-atacaram os batalhões do 6º RI, porém foram repelidos e mantida a posse das alturas anteriormente conquistadas.

Diz o Cmt FEB [Gen Mascarenhas] que o comando americano resolveu “Por motivo de alta
relevância ainda não revelados”, empregar a 1ª DIE em operações de ataque, cuja amplitude reclamava meios mais poderosos e cuja natureza exigia adestramento e razoável adaptação à zona de combate.

Essas operações do IV Corpo de Exército dos EUA [que enquadrava a FEB], denominadas “preliminares”, sofreram as seguintes observações do Gen Mascarenhas: “como corolário de tal decisão, as tropas brasileiras estacionadas na área de Pisa, com adestramento incompleto, foram levadas prematuramente para a frente de combate, onde defrontaram um inimigo operante, organizado em posições excelentes e dominantes. Ademais, a despeito dos esforços dos chefes militares americanos e brasileiros, a entrega do armamento destinado aos 1º e 11º RI não fora ultimada em 18 de novembro, o que era lamentável e estava em desacordo com o combinado”.

Mesmo assim, chegaram à frente de combate do Reno os 1º e 11º RI (2º escalão da FEB).
Em 19 de novembro, o 1º RI (menos o 1º Btl) substituiu o 6º RI na frente de Marano.

Em 21 de novembro o 1º Btl do 1º RI passou à reserva do IV Corpo de Exército em Borgo
Capanne.

Em 27 e 30 de novembro e em 1º de dezembro, os três batalhões do 11º RI entraram em
posição.

O 1º E O 2º ATAQUE AO MONTE CASTELO (MC)

Na jornada de 24 de novembro foi realizado o primeiro ataque ao MC. Foi encarregada a 45ª Task Force (a 45ª Div americana e o 3º do 6º RI, Esqd Rec e um Pel Eng do 9º Btl Eng, esses três últimos da FEB).

O Cmt da Task Force, Brigadeiro-General Rutledge não conseguiu conquistar os objetivos,
redundando em completo insucesso esse 1º ataque ao Monte Castello. No dia seguinte repetiu-se a mesma operação de 24 de novembro, porém, dessa vez, conseguiram atingir MC e Belvedere, posições-chave daquele rude palco de guerra.

Entretanto, a extensão do objetivo, o desgaste físico e a atuação do inimigo não permitiram
resistir ao contra-ataque dos blindados alemães e a força atacante foi repelida para as posições de partida. Terminaram assim, sem obter sucesso, os dois ataques ao Castelo conduzidos pelos americanos.

Se sucederam, também sem sucesso, dois ataques brasileiros, que precederam à vitória de
Monte Castello.

NAS PRÓXIMAS MENSAGENS SERÃO RELATADOS OS ATAQUES SOB COMANDO BRASILEIRO





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