Quase 100% do nióbio é brasileiro, mas a extração é cara e mercado, restrito

Imagem: ShutterStock

O Nióbio sempre desperta curiosidades e dúvidas sobre o mercado e seu valor internacional. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, o país é responsável por cerca de 90% de toda a comercialização de nióbio no planeta, seguido com larga distância por Canadá e Austrália.

Quase todo o nióbio do mundo está aqui

O Brasil tem cerca de 98% da reserva global de nióbio. Assim como em vários países, grande parte dessas minas são conhecidas, mas não exploradas.

Apenas 4 minas e 3 usinas no país

Apesar de toda a reserva de nióbio que existe no Brasil, o país tem em operação apenas quatro minas (duas grandes, uma média e uma pequena) e três usinas (uma média e duas pequenas), segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM).

São quatro os estados produtores de nióbio: Minas Gerais, Goiás, Amazonas e Rondônia.

Maior empresa pertence à família Moreira Salles

A empresa que lidera a produção de nióbio no mundo é a CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), fundada em 1955 em Araxá (MG).

A companhia é controlada pelo Grupo Moreira Salles, da mesma família que é acionista e controladora do Itaú Unibanco. Uma fatia de 15% da empresa pertence a um consórcio japonês e sul-coreano e outra, também de 15%, foi adquirida por um grupo de empresas chinesas.

Dali sai 80% de todo o nióbio comercializado no planeta, vendido para mais de 50 países. Neste ano, a empresa pretende comercializar 97 mil toneladas de produtos de nióbio, e a previsão é aumentar nos próximos anos.

Segundo a mineradora, a reserva de Araxá tem material o bastante para 200 anos de exploração.

Mercado global é muito pequeno

O mercado de nióbio é muito pequeno no Brasil e no mundo. De acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Brasil comercializou R$ 88,46 bilhões de substâncias metálicas em 2017. Desse total, apenas R$ 635 milhões foram de nióbio, o que representa menos de 1% (0,7%).

Como produto de exportação, os dados do nióbio também se mostram tímidos. Das 11 principais substâncias metálicas mais produzidas no Brasil, o nióbio é o quinto mais exportado, mas com um percentual baixo: 4,2% dos US$ 41,7 bilhões totais. Os principais compradores são China, Estados Unidos, Holanda e Japão, mas para nenhum deles o nióbio é a substância mais buscada.

O Brasil também importa alguns produtos com nióbio, mas de maneira quase irrisória. É a substância metálica que menos compramos: 0,02% do total, vindo em especial de China e Peru.

Preço internacional está estável

A limitação do mercado faz com que o valor do nióbio não tenha sofrido variações tão bruscas na última década.

De acordo com a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais, um quilo de ferronióbio custava US$ 32 em 2008. Hoje, a empresa CBMM avalia um quilo em US$ 40 –aumento que praticamente acompanha a inflação do dólar nesses 11 anos.

Isso se dá também porque o ferronióbio não é uma commodity. Seu valor não é negociado na Bolsa de Valores, mas estabelecido pelo mercado. Se a procura não cresce, o preço também não tende a aumentar.

Por Lucas Borges Teixeira, em colaboração com UOL



2 COMENTÁRIOS

  1. A matéria sobre o niobio deixa de esclarecer as possíveis aplicações desse material, na indústria em geral, bem como quais seriam seus diferenciais ante aos produtos hoje empregados.

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