Questões de protocolo paralisam conversas em relação a Defesa entre EUA e China

O Pentágono é aberto sobre seu desejo de ter discussões bilaterais de alto nível com a China, em meio ao aumento da tensão entre as duas partes

blank

O porta-voz do Pentágono, John Kirby, indicou nesta terça-feira (25) que o departamento de Defesa dos EUA ainda tenta se comunicar com comandantes militares chineses, após informações da imprensa de que Pequim estava rejeitando chamadas devido a questões de protocolo.

O secretário de Defesa americano, Lloyd Austin, foi rejeitado três vezes em tentativas de ligações para seus pares chineses, segundo um relatório do “Financial Times”, que não foi desmentido.

O jornal “Global Times”, mídia estatal do governo, informou que, apesar de Pequim estar aberta a discussões militares bilaterais, Austin havia tentado contato com o vice-presidente da Comissão Militar Central, órgão do Partido Comunista da China que supervisiona as Forças Armadas, Xu Qiliang, em vez de procurar o ministro da Defesa, Wei Fenghe.

A intenção de Austin de buscar uma conexão com Xu, que tem uma relação próxima com o presidente Xi Jinping, “foi um ato pouco profissional e hostil de ignorar o protocolo diplomático e a prática internacional comum”, publicou o Global Times, que costuma refletir as opiniões oficiais.

John Kirby, confirmou que Austin não se comunicou com os principais militares da China. “Certamente desejamos ter um diálogo com nossos pares em Pequim, e ainda estamos trabalhando em como isso acontecerá exatamente”, declarou hoje.

Washington mantém uma forte presença militar na região, deixando claro sua discordância com a reivindicação de Pequim envolvendo territórios em disputa no Mar da China Meridional e sua ameaça de retomar à força o controle de Taiwan e estender sua presença militar além da Ásia Oriental.

A China vê a passagem regular de embarcações americanas pelo Mar da China Meridional e pelo Estreito de Taiwan como uma ameaça à sua soberania, uma vez que considera a questão de Taipé um assunto interno.

A relação entre as Forças Armadas dos dois países diminuiu desde que o ex-secretário de Defesa americano James Mattis visitou Pequim, em junho de 2018, para tentar melhorar a comunicação. As discussões não deram frutos e o sucessor de Mattis, Mark Esper, não conseguiu agendar uma reunião com seu par no ano passado.

  • Com informações da agências AFP