Rebeldes da República Centro Africana pedem ajuda à França para combater PMC’s russos

blank
Arte com foto do Russian Defense Ministry.

O líder da principal coalizão rebelde dos Rebeldes da República Centro-Africana (CAR), a Coalizão de Patriotas para a Mudança (CPC), pediu ao presidente francês Emmanuel Macron apoio para conseguir combater os PMC’s e militares russos que dão acessoria e treinamento para as forças legalistas da CAR.

Em 5 de fevereiro, uma mensagem do líder do CPC, François Bozizé, a Macron, contendo o pedido de ajuda, vazou. A mensagem foi enviada em 11 de janeiro.

Na mensagem vazada, Bozizé acusa a Rússia de intervir nas últimas eleições do CAR, realizadas em dezembro. O presidente Faustin-Archange Touadéra, principal adversário do CPC, foi reeleito com mais de 53% dos votos.

“O CAR e a Coalizão [CPC] gostariam que a França interviesse para que a aliança inconstitucional e maligna das Nações Unidas – Federação Russa – Grupo Wagner – Ruanda não se tornasse o idealizador de um genocídio”, diz a mensagem. “O CAR precisa da arbitragem e do apoio da França para que os centro-africanos possam mais uma vez ser donos de seu destino e de suas ambições iniciais”.

Os combatentes do CPC têm tentado capturar a capital, Bangui, para derrubar o presidente Touadéra há algum tempo.

A capital é protegida por uma coalizão de forças governamentais, conselheiros russos, tropas ruandesas e soldados da paz da ONU. As operações estão em andamento para proteger outras partes do país devastado pela guerra.

As tropas francesas retiraram-se da República Centro Africana em 2016, após uma intervenção de dois anos que não conseguiu pôr fim à guerra civil no país. Agora, a União Europeia está executando um programa de treinamento para as forças governamentais que apoiam o presidente Touadéra.

Embora a França esteja desconfortável com a presença russa em sua esfera de influência na África, provavelmente não tomará nenhuma atitude. As forças russas estão presentes na República Centro Africana a pedido do governo legítimo e em coordenação com a ONU. Além disso, Moscou pode pressionar Paris em outras áreas, por exemplo o Oriente Médio, em resposta a qualquer movimento contra suas forças no CAR.

blank
Militares ou PMC’s russos spotteado acompanhando tropas da RCA. Imagem via TecnoCamon.

Rússia considera enviar mais “conselheiros” militares para a República Centro Africana

A Rússia está pronta para o envio de novos “conselheiros militares” (entre PMC’s de empresas civis e militares da ativa, exercendo função de conselheiros) à República Centro-Africana, se um apelo apropriado for recebido das autoridades do país.

A medida foi anunciada à imprensa pelo enviado especial do presidente russo para o Médio Oriente e África, o vice-chanceler Mikhail Bogdanov em 25 de janeiro.

“Esta, a questão da necessidade de conselheiros militares da Federação Russa, deve ser avaliada pela liderança democraticamente eleita do CAR”, disse ele. “Se alguém nos pergunta, representando um país soberano, sendo um líder legítimo, então esses apelos são sempre considerados da forma mais atenta.”

Segundo Bogdanov, a República Centro-Africana continua em uma situação muito difícil. As eleições realizadas no país deverão ter um efeito positivo na situação sócio-política e na solução dos problemas sócio-econômicos, destacou o alto diplomata.

Existem instrutores militares russos na república já desde alguns anos. Em março de 2018, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia informou que, a pedido do presidente do CAR, o lado russo estava enviando a Bangui assistência técnico-militar gratuita, em particular, armas pequenas e munições, e cinco militares e 170 instrutores civis russos foram enviados para o país para treinar os militares locais.

No verão de 2019, houve negociações para que outro grupo de militares russos pudesse ser enviado para a missão da ONU no CAR.

blank

Em 22 de dezembro nd de 2020, o Ministério das Relações Exteriores notificou o Conselho de Segurança da ONU que a Rússia tinha enviado um adicional de 300 instrutores militares para a República Centro Africano. Em 27 de dezembro, o vice-ministro da Defesa russo, Alexander Fomin, disse que, em novembro de 2020, a Rússia forneceu veículos blindados de reconhecimento BRDM-2 para o CAR.

Em 15 de janeiro de 2021, houve relatos de que os instrutores russos seriam retirados, mas que não aconteceu… E em 21 de janeiro, o serviço do Ministério das Relações Exteriores de imprensa anunciou que os instrutores militares russos enviados para o CAR em dezembro irá permanecer no país por enquanto.

De acordo com fontes da ONU, a coordenação no terreno entre as forças de paz da ONU, os “instrutores militares” russos e os 300 soldados ruandeses também enviados como reforços em dezembro numa base bilateral acabou sendo “muito boa”.

Uma das fontes disse que a coordenação foi uma tentativa de evitar “fogo amigo” entre as diferentes forças, “para saber quem estava onde e quem estava fazendo o quê”, acrescentando que “os ruandeses e os russos ajudaram muito”.

  • Com informações AFP, STF Analysis & Intelligence, ASISC – African Center for Intelligence & Security,  TecnoCamon via redação Orbis Defense Europe.

Comments are closed.