Representantes da Saab e da Força Aérea Sueca estiveram em Brasília para tratarem do programa Gripen

Representantes da sueca Saab e da Força Aérea Sueca, mantiveram encontros em Brasília na semana passada com autoridades do governo e executivos da indústria do Brasil, na última reunião de alto nível do atual governo da parceria bilateral que culminará na renovação dos caças da Força Aérea Brasileira (FAB). Os suecos já se preparam para retornar ao país após a posse do presidente eleito Jair Bolsonaro, num momento em que a gaúcha AEL Sistemas protagoniza o primeiro caso de transferência inversa de tecnologia da parceria.

“Sabemos que haverá outros indivíduos. É assim que é. Depois de 1º de janeiro vamos voltar, trabalhar com novos indivíduos nas diferentes posições”, disse o vice-presidente da Saab e chefe da área de negócios da Saab Aeronautics, Jonas Hjelm, lembrando que a Suécia também passa por um período de transição pós-eleitoral. “Mas isso não é tão estranho para nós. Fazemos isso o tempo todo ao redor do mundo.” Segundo o executivo, o cronograma do programa está respeitado.

Hjelm, vice-presidente da Saab: “Transição de governo não é estranho para nós; fazemos sempre ao redor do mundo”

A próxima reunião anual de alto nível será no fim de 2019, na Suécia. Antes, em meados do o primeiro Gripen será entregue, quando se começará os ensaios em voo na cidade sueca de Linkoping, pelos próprios pilotos brasileiros. Os demais caças serão entregues no Brasil a partir de 2021. Ao todo, serão 36 Gripen (28 monoposto e 8 biposto). Em 2024, o último caça será entregue à FAB ano de 2019 vai ser um ano muito importante para a parte brasileira do projeto”, comentou Hjelm.

O negócio foi anunciado pela FAB no fim de 2013, após longo processo de seleção. À época, foi estimado em US$ 4,5 bilhões. Segundo a Saab, o contrato foi feito na moeda sueca por 39,3 bilhões de coroas suecas. Pelo câmbio de sexta-feira, hoje o contrato estaria em US$ 4,3 bilhões. Essa visita ocorreu num momento em que, pela primeira vez, uma empresa brasileira tornou-se integrante da cadeia global de fornecedores da Saab.

A pedido FAB, a AEL já havia desenvolvido uma tela de última geração, sensível ao toque e de área maior que a versão original, que agradou aos militares suecos. Assim passará também a fazer parte dos 60 caças adquiridos pela Suécia e dos Gripen vendidos a outros países. “Quando a Suécia decidiu ter o mesmo equipamento, a mesma tela, que as aeronaves brasileiras, isso também significa que nós da Saab vemos a AEL Sistema como nossa parceira global. Eles vão fazer parte da nossa cadeia global de fornecimento”, explicou Hjelm.

“Esse equipamento vai estar em todos os Gripen que forem vendidos, não só nos brasileiros, como na ideia original. É algo enorme para a gente e para a AEL”, disse. Segundo ele, a tela é mais intuitiva e será mais fácil de operar pelos futuros pilotos dos caças, hoje jovens já habituados a manejar tablets. “A aeronave é muito fácil de pilotar, isso não é o grande desafio. O desafio é tomar a decisão certa em tempo, a partir da informação apresentada na tela. As telas são vitais, muito, muito importantes”, acrescentou ao Valor o tenente-coronel Rickard Nyström, chefe de relações internacionais da Força Aérea da Suécia.

O valor do negócio envolvendo Saab e AEL não foi divulgado devido a cláusulas de confidencialidade. Segundo seu presidente, no entanto, o projeto Gripen representa 20% do faturamento total da empresa e 50% das exportações. Números que podem alterar, caso os Gripen ampliem seu mercado. “Qualquer que s sucesso deles será o nosso sucesso”, afirmou Sergio Horta. Segundo Hjelm, a parceria entre Embraer e Boeing, outro tema que está no foco da empresa sueca devido à estreita parceria da Saab com Embraer, não foi comentado nos encontros de Brasília. Autoridades brasileiras têm prometido atualizar os suecos das novidades envolvendo a união das duas companhias.

Fonte: Valor Econômico
Publicado em: 26/11/18
Por: Fernando Exman





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