Salvatagem – Você está preparado?

No dia da Marinha Mercante do Brasil, rendemos nossa homenagem com um artigo de interesse geral para todos os envolvidos nas atividades embarcadas. Pensar sempre em segurança operacional é responsabilidade e dever de todos!

O castelo de proa, um dos locais de maior risco de possibilidade de queda ao mar.
Recentemente foi noticiada em todo o mundo a colisão entre o destróier USS Fitzgerald e um cargueiro civil no mar das Filipinas, mas não me aprofundarei nos detalhes que causaram a colisão, pois não é o foco do artigo. 
Em todo o mundo temos uma média de duas colisões por mês em mar aberto, em rios navegáveis, e dezenas em regiões portuárias, envolvendo praticamente todo o tipo de embarcação. Em quase todas essas ocorrências acontece a queda de tripulantes ao mar, e infelizmente o desaparecimento de alguns por dias ou até mesmo definitivamente, e na maioria dos casos, quem cai ao mar é sempre encontrado já morto por hipotermia, pois em águas a uma temperatura de 15°C basta a permanência por uma hora para morrer de hipotermia, ou em casos mais trágicos, são encontrados semi-devorado pela fauna marinha.

Como sempre a prevenção é nossa maior aliada para evitar esse tipo de situação, e quando for inevitável devido a acidentes, uma doutrina de porte constante de EPI e outros equipamentos de emergências é o imperativo esperado de todo tripulante ou profissional que trabalhe embarcado ou em plataformas marítimas.
Esse artigo não tem a pretensão de ser algo que supere uma instrução profissional homologada e oficial que é dada em navios ou cursos específicos de salvatagem, mas a informação é sempre importante quando baseada na experiência real e nas análises de outras ocorrências do meio naval pelo mundo. Espero que possa ser útil e que principalmente fomente a prevenção.
Os EPI e acessórios mais importantes à bordo quando embarcado
1- Conhecimento
A atenção aos briefings e outras instruções de oficiais e tripulantes mais antigos é a parte mais importante, pois um navio é praticamente um organismo vivo e um sistema complexo para leigos e navegantes de 1a viagem. Acidentes à bordo podem sempre acontecer por melhor que seja o estado e a manutenção de uma embarcação. Em caso de dúvida, jamais proceda a algo, principalmente no exterior, sem o conhecimento ou o acompanhamento de outros tripulantes.
Outro conhecimento importante é estudar o mapa de saídas de emergências da embarcação e a localização dos equipamentos de salvatagem e combate a incêndios.
2- Porte e uso de EPI
Uma vez embarcado, considero que existem pelo menos três EPI´s indispensáveis para se portar ostensivamente que são:
– Luvas anti-chamas/anti-choque. 
De um choque elétrico na estrutura interne e externa, à manipulação de ferramentas, aberturas de portas quentes devido à ìncêndios, ou apenas se manter agarrado aos anteparos ou cordas de uma embarcação, as luvas são o primeiro acessório que darão proteção para suas mãos, pois, sem elas você não faz quase mais nada.
– Óculos de proteção homologado ( jamais óculos de sol comuns de lentes de vidro).
Em caso de sinistros, desde fagulhas elétricas em alta temperatura e até mesmo objetos projetados por explosões ou outros acontecimentos, os óculos são essenciais para preservar a sua visão.
– Colete salva-vidas auto-inflável homologado.
Dispensa maiores explicações, afinal nadar bem é para os peixes e flutuar bem no mar é para os pássaros marinhos…
– Macacão operativo e/ou vestimentas com tratamento anti-chamas/anti-estático (facultativo).
Facultativo pois nem todos trabalham em áreas sujeitas às eventualidades de choques elétricos e altas temperaturas/fogo iminente.
Porém uma vez à bordo, existindo a disponibilidade desse tipo de EPI, que se use sem preocupação com a estética.
3- Ter acessórios importantes à mão
– Lanterna.
Pois a luz pode sofrer interrupções à bordo, independente do bom funcionamento e boa manutenção da embarcação.
Imagine-se no porão de uma embarcação de médio a grande porte, e, ter que se deslocar  até o passadisso sem iluminação.
Outro fator importante é que as lanternas, as pilhas ou baterias sempre sejam checadas antes do embarque.
– Apito para anúncio de emergências e/ou localização.
Sua garganta é frágil e jamais terá a mesma potência em decibéis de um apito qualquer por pior que seja, não importa se você está em um compartimento fechado ou em uma eventual queda ao mar. Sempre e em qualquer lugar do mundo o forte silvo de um apito é considerado como sinal universal de emergência. Na indisponibilidade de um apito, pode-se usar uma tampa de caneta, capsula de munição ou qualquer tubo de pequeno diâmetro encontrado.
– Material de hemostasia imediata.
Um bom absorvente, um pequeno maço de gaze ou lenço não ocupam espaço em bolsos e são importantes quando ocorrem ferimentos que provoquem sangramento intenso. Dependendo do local do sangramento ou do tamanho do ferimento, pode-se perder até um litro de sangue facilmente em questão de segundos, provocando assim um choque hipovolêmico que cause danos severos ou até mesmo a morte para indivíduos de físico mais frágeis.
Um moderno colete de sobrevivência customizado, com o colete flutuador, bolsos de EDC, IFAK e acessórios diversos. O conteúdo pode variar de configuração dependendo da missão.
Podemos listar uma série de outros materiais com exemplo, mas tenhamos a consciência de que cada embarcação e cada missão em suas particularidades e para isso é indispensável o conhecimento e treinamento antes do embarque e durante a permanência à bordo.
Bom censo e seguir à risca os procedimentos e orientações da tripulação preserva a vida e não faz mal a ninguém!


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