Seis meses de intervenção militar o que mudou e o que necessita mudar

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Quando a Câmara dos Deputados do Brasil aprovou um decreto para colocar os militares no comando das forças de segurança do Rio de Janeiro na madrugada de uma terça-feira seis meses atrás, ao mesmo tempo soldados e policiais se espalham pela cidade para combater o aumento desenfreado do crime carioca.

Os militares tomavam a polícia do Rio na sexta-feira anterior, mas o decreto presidencial ainda precisava da aprovação do Congresso. A Câmara dos Deputados enviou a medida ao Senado, que deveria debatê-la no final do dia.

Durante a noite, as forças armadas e a polícia se espalharam no Rio na primeira grande operação desde a mudança de comando. Eles assumiram posições nas principais estradas que conectam o Rio com o resto do país em um esforço para impedir que drogas, armas ilegais e bens roubados entrem na cidade, disse o coronel Roberto Itamar, porta-voz militar. Cerca de 3.000 membros das forças armadas estavam envolvidos.

Veículos blindados rolaram pelas ruas de um bairro da Baía de Guanabara na terça-feira, enquanto barcos patrulhavam as águas. Soldados e policiais montaram postos de checagem e revistaram todos saindo ou entrando durante o trajeto matinal.

Wilton Junior

Hoje seis meses depois o que restou disto tudo ?pergunto eu.

Nós estamos tendo um debate “político eleitoral policial” , fala-se em controle de armas e a revogação do estatuto de desarmamento, não se enganem sobre a necessidade disto, muitos vendem a idéia que com ações desta natureza não há necessidade de permitir armas aos cidadãos … não caiam nesta conversa( SOU TOTALMENTE CONTRA O ESTATUTO!) E tiroteios policiais também estão sendo discutidos, claro que condenando o policial por ações de força contra o crime, querendo fazer crer que as tais “ações de inteligência” por si só resolvem tudo. Bem, você sabem que isto é mentira, você pode gravar toda uma comunidade em busca de traficantes, mas quem é que vai ter de ir lá para desentocar o bandido e o prender?

Minhas opiniões sobre a polícia militarizada evoluíram. Eu fui contra isso no passado, achando que a Policia Civil de elite daria conta, estava errado. Agora? Bem, com um pouco mais de informação, eu me deparo com dilemas que estão tirando o sono daqueles que pensaram que bastava intervir e tudo se resolveria, vou dar-lhes a verdade sobre o que eles precisam para fazer o trabalho de combate ao crime de forma mais intensa.

Não só no Rio de Janeiro como em todo país temos que ser mais severos com o crime.Por quê?

Duas razões.

1. É patente que os ramos criminosos urbanos brasileiros já viraram cartéis operando em cada cidades, RJ, SP, MG até no Acre e algumas outras cidades atingiram o Maximo tolerável o Município de São Gonçalo e os Morros do Rio de Janeiro se tornaram territórios do crime aonde o estado não pode sequer pensar em entrar.

O que estou falando pode ser Notícia antiga para você? Mas é Novo para mim. Não admito um lugar aonde o estado não pode ir, e apesar da intervenção, nada disto mudou, e vou alem há no RJ cartéis de drogas estrangeiros e eles estão operando em nosso país há algum tempo, então como eu não vou ficar surpreso ao ver que eles foram capazes de manter as coisas sob controle, apesar de uma intervenção militar.

Não se enganem sobre isso. Se em um futuro breve eles estiverem em todos os locais no Rio de Janeiro, eventualmente veremos o mesmo tipo de violência como vemos no México, pior, se estes grupos vão criar um estado nacional narco identificado como independente do Estado nestas áreas,.

2. Você não quer que o país tenha que lidar com uma situação do Rio. A última coisa que o povo precisa é ter um Batalhão de Infantaria do Corpo de Fuzileiros Navais rolando pelas ruas fazendo trabalho policial. Mas infelizmente neste momento, apesar dos utopistas de segurança acharem isto malvado e desagradável. Sem isto pode ser muito pior do que mau e desagradável. Eles farão o melhor que puderem para moderar a violência, mas políticos neste momento tentam alienar as pessoas, pessoas de os militares não são treinados para o trabalho policial, tentam fazer crer que o endurecimento contra o crime é uma ação errada, sem se importar que a máfia de interesses escusos por detrás deste pensamento, queira que você pense assim.

Pior, o próprio comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, disse em alto e bom som, em solenidade no Dia do Soldado que “aparentemente” os militares são os únicos a se engajar na intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Ele criticou a falta de ações do poder civil no combate à violência, parece que só agora o General Vilas Boas, acordou para realidade em que a visão da época do regime militar da policia como força auxiliar subordinada ao Exercito naquela época, acabou!.

Não é segredo para nenhum carioca que a base do continuo aumento da criminalidade, tem raiz na leniência da corrupção policial, na qual criou o absurdo de ter áreas de dominância de territórios dentro do Rio de Janeiro, aonde a chamada “Milícia” manda e dita regras das ações criminosas, comandadas por este maus policiais.
Se a vontade de tornar o Rio de Janeiro realmente seguro for real, a mudança tem de começar na própria policia, expurgando sumariamente a banda podre de toda a instituição policial, seja do mais baixo ao mais alto cargo e posto, e não basta expulsar, tem de prender, pois colocar para fora os maus policias apenas reforçaria as milícias criminosas cariocas.

Fatos como esse embutem vários significados, a começar pela brutal degradação dos costumes. O simples fato de alguém decidir roubar o outro é uma prova de grave perda de valores. E a perda de valores não tem nada a ver com pobreza ou riqueza. Nem é uma questão de falta de educação formal, e sim de falta de princípios e de educação doméstica, e quando isto é feito por um agente que deveria prover a segurança isto se torna um absurdo inadmissível.

O significado real desta omissão do poder publico para com a má instituição policial, reside na ineficiência no trato do problema por parte das autoridades. Não há recursos suficientes nem competência. Falta investimento em inteligência e tecnologia para desbaratar o crime organizado e prever sua ocorrência nas zonas de maior incidência. No Rio de Janeiro, as UPPs foram um alento no princípio, mas já perderam energia, engolfadas por outro traço cultural de nosso sistema: a corrupção endêmica.

3. O interventor até o momento esteve amarrado a limitações impostas, por os mais diversos políticos cariocas, nos quais quanto pior melhor e mais lucro obtém como caos, pouco se importando com consequências.

Tais políticos promovem uma verdadeira inquisição sobre as forças de intervenção, ora buscando manter o caos, ora arrogando aos ventos que a intervenção é um resquício de golpe militar, coisa que só cabe em mentes mal intencionadas ou com notório desvio de caráter no interesse da manutenção do caos.

Querem inclusive o absurdo de impor que os soldados sejam criminalmente processados por ações policiais, tal absurdo fez com que o co Comandante do exercito emitisse uma dura nota sobre este absurdo “O Exército tira o jovem da família para o serviço militar obrigatório. Ele se depara com traficantes, mata os bandidos para se defender. Depois, o Exército devolve esse jovem para sua família como um indiciado pela Justiça comum”, reclamou Villas Bôas.

Ocorre que para que a missão possa ser cumprida como espera e merece a população do Rio de Janeiro, a tropa empregada terá que fazer frente à liberdade de ação do crime organizado — que não tem a mesma preocupação com o cumprimento da lei e que expõe a população ao risco em que hoje se encontra — e ao grau de violência por eles empregado, e o uso de soldados, “não raro”, levará à preservação de vidas da população carioca, “refém da violência do crime organizado”.

Vale lembrar que, desde outubro, cabe à Justiça Militar julgar integrantes das Forças Armadas por crimes dolosos contra a vida cometidos contra civis em operações de garantia da lei e da ordem. A medida, inclusive, foi apoiada pelo General Eduardo Villas Bôas.

Dê à polícia um Abrams M1 se é isso que eles pensam que precisam, mas não precisamos acordar e ver que uma cidade brasileira se tornou no que está passando na Síria no combate a criminalidade, temos de endurecer ainda mais para combater o que está acontecendo no Brasil.

E para isto não é necessário uma intervenção, basta entregar carta branca para limpar toda a estrutura policial carioca pelas forças armadas e Ministério da defesa, desde que com devido orçamento e a independência de ações na segurança do Rio de Janeiro, garanto que a moralidade e a severidade no trato deste problema, acaba com esta crise.

Duas atitudes devem ser adotadas. Uma, com relação aos meios de comunicação. Nossa comunicação de massa denuncia o crime; todavia, pouco contribui para orientar e educar o cidadão sobre como combater o problema. Uma segunda atitude seria a criação de uma agência de inteligência destinada a trabalhar para a obtenção de informações e abastecer as autoridades policiais. Devemos ter nosso DEA voltado para questões específicas, como o tráfico de drogas e de armas.

A nova agência trabalharia em conjunto com a Abin e o DPF, bem como com as polícias limpas de maus agentes militares e civis e as Forças Armadas. Seria um organismo subordinado diretamente ao ministro da Justiça ou ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, sem ficar subordinado a estrutura corrompida da política do estado do Rio de Janeiro, e claro este organismo teria de ter estrutura e recursos próprios. Com mais inteligência e recursos, as ruas poderiam voltar a ser mais seguras.

Erick Dau

Rudolph Giuliani, ex-prefeito de Nova York que ficou conhecido por sua política de “tolerância zero” com o crime, ensinou certa vez: “É preciso enfatizar muito o policiamento, mas ele deve ser seguido por condenações judiciais, muito freqüentemente por encarceramento, e envolver uma melhoria na comunidade”.

Ou seja, o combate ao crime implica estratégia – remoção dos criminosos (principalmente traficantes) das ruas, programas contra a violência doméstica (em geral contra as mulheres) e contra os pequenos crimes, para que estes não se transformem em grandes ou que o delinqüente aprenda que vale a pena delinqüir. Além do uso de tecnologia com o objetivo de identificar que crimes são praticados, quem os fez, de que tipo, onde, a que horas etc. Ou seja, é muito trabalho pela frente. Você acha que esse tipo de enfrentamento da violência está sendo praticado no Brasil?

Nossas autoridades precisam aprender que combater o crime compensa.

E sinceramente lendo e refletindo sobre isto tudo, chega-se a conclusão de que nestes seis meses, nada foi feito para mudar a situação futura do Estado do Rio de Janeiro.

JG

2 COMENTÁRIOS

  1. Gente, por favor creditem os jornalistas responsáveis pelas imagens que estão utilizando. Até porque são sujeitas a direitos autorais…

    Se não me engano a primeira é do Wilton Junior. A segunda eu sei que é do Erick Dau.

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