Ser aliado extra-Otan é ‘selo de aprovação’ ao Brasil, diz chefe do Comando Sul dos EUA

O chefe do Comando Sul dos EUA (USSOUTHCOM), almirante de esquadra Craig Faller , afirmou nesta segunda-feira (20) que o reconhecimento do Brasil como um aliado prioritário extra-Otan é um “selo de aprovação ” do governo americano.

A designação foi confirmada em julho deste ano , e, com isso, o país passa a ter acesso a equipamentos mais modernos dos EUA, além de maior nível de cooperação com o Pentágono.

“Essa relação militar entre Brasil e EUA se manteve ao longo do tempo, sobrevivendo a tempos difíceis, tempos de paz, à  Segunda Guerra Mundial, ninguém quer passar por isso novamente. Esse reconhecimento (aliado extra-Otan), uma estrutura para fortalecer nossos exercícios, nossa troca de informações de inteligência, nossa troca de tecnologias. Isso está diretamente ligado à ênfase dada pela nossa Estratégia Nacional de Defesa, de dar apoio a nossos principais parceiros. É uma fita azul de qualidade, um selo de aprovação dessa relação, uma manifestação do que é importante no futuro.”, falou o almirante.

O chefe do USSOUTHCOM ainda revelou que as conversas para se chegar a esse novo status do Brasil não são novas: em agosto do ano passado , ele e o então secretário de Defesa, James Mattis , negociaram essa designação durante visita ao Brasil.

Craig Faller está no Brasil para participar do Unitas, um dos principais exercícios militares das Américas. Realizado desde 1959, quando refletia as preocupações de um mundo bipolar e a sempre presente ameaça de um conflito nuclear, os exercícios contam hoje com a participação de 11 países e são divididos em duas etapas.

Na primeira, iniciada nesta segunda-feira (20), o foco é em ações de superfície, guerra eletrônica e interdição marítima. A segunda, prevista para o final do mês, vai simular uma operação de ajuda humanitária .

‘Mensagem a Maduro’

Durante conversa com jornalistas, ao ser perguntado se os exercícios poderiam servir como uma mensagem à Venezuela , o almirante foi enfático:

“Acho que os exercícios mandam uma mensagem para o mundo, estamos trabalhando juntos contra uma gama de ameaças, indo desde desastres naturais, terrorismo, isso certamente manda uma mensagem a (Nicolás) Maduro e países que não compartilhem dos mesmos valores.”, afirmou o almirante Faller.

Faller não confirmou nem negou a existência de planos para um bloqueio naval à Venezuela, vista cada vez mais como uma nação hostil por Washington. A proposta foi levantada pelo próprio presidente Donald Trump, mas funcionários do governo questionaram a viabilidade ou mesmo a legalidade da ideia.

“Nossa Marinha é a mais poderosa do mundo, as decisões políticas são feitas incluindo a Marinha, ela é capaz de fazer o que precisa ser feito. Mas não vou focar em como ou quando uma decisão pode acontecer ou nos elementos de planejamento.”, afirmou o almirante.

Presença russa

Um ponto importante na narrativa sobre a crise na Venezuela é a presença russa no país, seja com apoio político ou equipamentos militares. Nos últimos anos, as compras feitas pelos venezuelanos somaram alguns bilhões de dólares, incluindo aviões, sistemas de defesa aérea e até os rifles AK-47 .

O almirante Fuller diz que esse apoio de Moscou acabou sendo essencial para manter Maduro no poder.

“Infelizmente a maior razão pela qual Maduro segue no poder, levando miséria à população, é o apoio de Cuba , Rússia e, de certa forma, China . Todos os militares e serviços de inteligência estão cheios de cubanos, os russos estão trabalhando com o regime. Isso inclui assistência técnica e sistemas de defesa. Ele consegue comprar equipamentos formidáveis de China e Rússia.’,  disse…”É um país que está bem armado.”

O almirante ainda confirmou que Brasil e EUA trocam informações sobre a atuação do grupo libanês Hezbollah na América do Sul. A organização, que é um dos principais atores na política do Líbano, incluindo com participação no governo, é considerada terrorista pelo Departamento de Estado, um caminho que pode ser seguido por Brasília .

A parte fundamental de qualquer relação é a troca de informações, nós fazemos isso com o Brasil, além de obter informações com nossas próprias agências. Focamos no Hezbollah e em outras ameaças terroristas na área.

  • Com agências nacionais


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