Serviço Militar Obrigatório a mulheres vira problema na Coreia do Sul

Petição online direcionada ao presidente Moon Jae-in exigindo o recrutamento feminino recebeu quase 300.000 assinaturas até terça-feira (18)

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Um acalorado debate na Coreia do Sul sobre a obrigatoriedade do serviço militar para mulheres, está inflamando as divisões entre os sexos, em vez de diminuir as diferenças sociais, disse a ministra da igualdade de gênero do país.

Chung Young-ai,  ministra da Igualdade de Gênero e Família, respondeu a uma pergunta em entrevista à Bloomberg, se as mulheres jovens deveriam ser obrigadas a se juntar a seus colegas homens servindo nas Forças Armadas.

Chung disse na segunda-feira (17) que a direção do argumento era “problemática”. “O debate sobre as mulheres servindo nas Forças Armadas não veio da tentativa de alcançar a igualdade de gênero, mas de vozes que estão pedindo às mulheres que experimentem as mesmas desvantagens que os homens”, ela disse.

A questão tem sido objeto de ampla discussão desde abril, quando o legislador do partido no poder e aspirante à presidência em 2022, Park Yong-jin, reagiu às derrotas nas eleições locais sugerindo que o serviço militar obrigatório para mulheres promoveria a igualdade de gênero.

A proposta de Park tocou em uma questão polêmica que de alguma forma afeta quase todas as famílias na Coreia do Sul, que tecnicamente ainda está em guerra com a Coreia do Norte e compartilha uma das fronteiras mais militarizadas do mundo.

O governo progressista de Moon viu o apoio entre as mulheres diminuir antes de uma eleição presidencial a apenas 10 meses, e está tentando reconquistar o bloco de votação crucial para manter o cargo quando seu mandato terminar.

A tendência contribuiu para a derrota do Partido Democrata nas disputas para prefeito em Seul e Busan, as duas maiores cidades da Coreia do Sul.

“Os sul-coreanos devem se concentrar na solução de problemas crônicos, como disparidade de renda, baixa taxa de natalidade e discriminação sistêmica baseada em gênero”, disse Chung.

A pandemia tornou as coisas ainda mais difíceis para as mulheres, com dados do banco central mostrando que elas sofreram perdas de empregos muito maiores do que os homens.

Durante a campanha presidencial da Coreia do Sul em 2017, Moon prometeu ser um “presidente a favor da igualdade de gênero” e que as mulheres seriam metade dos membros de seu gabinete até o final de seu mandato, após começar com 30%. Com menos de um ano no cargo, ele agora tem apenas quatro ministras em um gabinete de 19.

  • Com informações da Revista Exame Carreiras