Só avançaremos com melhor educação e mais ética!

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Só avançaremos com melhor educação e mais ética!

Eugênio Ricas é Delegado
Federal, Adido da PF nos
EUA, Mestre em Gestão
Pública pela UFES e
Co fundador do @maisetica

             Recentemente tive oportunidade de escrever um pouco sobre uma série de escândalos de corrupção que têm sido descobertos pela Polícia Federal país afora. São exemplos que vão desde a compra superfaturada de máscaras, até a aquisição de respiradores por preços extorsivos ou de péssima qualidade. Os casos repetem-se em inúmeros estados, em todas as regiões do Brasil. Santa Catarina, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Amapá são apenas alguns exemplos de locais onde a polícia e o Ministério Público já precisaram agir para tentar estancar a sangria aos cofres públicos. No Rio de Janeiro (cujo exemplo talvez seja o mais emblemático) até mesmo o governador do estado foi alvo das ações, que culminaram com o cumprimento de mandado de busca e apreensão no Palácio das Laranjeiras.

            Em comum, em todos os exemplos citados, está a possível prática de corrupção por parte de gestores desonestos que se aproveitam da maior crise de todos os tempos, onde milhares de pessoas estão morrendo, para se enriquecerem ilicitamente. Gestores e empresários que não medem esforços para lucrar, nem têm o mínimo de pudor ou compromisso com a coisa pública.

            Quem pensa, no entanto, que a corrupção no Brasil se limita à gestão pública ou aos cargos eletivos, se engana completamente. No início de maio uma operação da Polícia Federal no Maranhão prendeu uma dupla de estelionatários que tentavam realizar saques indevidos com cartões do Bolsa Família. A dupla já teria sacado 96 mil reais de contas que receberam o auxílio emergencial pago pelo Governo Federal para amenizar os efeitos econômicos da pandemia.

            Na última semana de maio, a Controladoria Geral da União divulgou que, dos cerca de 53 milhões de cadastros realizados para recebimento do auxílio emergencial, um número muito superior a 160 mil se tratava de fraudes. Apenas para se ter uma ideia do tamanho do problema, 74 mil cadastros são de pessoas que são sócias de empresas com empregados cadastrados e que recebem ajuda do governo. O escárnio não para por aí. Cerca de 86 mil pessoas efetuaram doações de mais de 10 mil reais a campanhas políticas. No bolo da corrupção e do completo desprezo para com a coisa pública e para com a vida humana, ainda estão presidiários, empresários que possuem veículos avaliados em mais de 60 mil reais, donos de embarcações e pessoas com domicílio fiscal no exterior.

            Diante de um cenário que escancara a corrupção endêmica de nosso país e que revela que o jeitinho e as maracutaias são praticados indiscriminadamente em nossa sociedade, pelo presidiário, pelo empresário dono de iate, pelo doador de campanha política e pelos gestores e políticos, fica cada vez mais difícil manter as esperanças em dias melhores. Infelizmente, nesse cenário não há Polícia Federal ou outros órgãos de controle que resolvam. Ou mudamos nossa cultura como sociedade, ou padeceremos num infinito jogo de gatos e ratos (com muito mais ratos e com dinheiro público ficando cada vez mais finito).

            A repressão é essencial e, num país como o nosso, dela não podemos abrir mão. Os exemplos mencionados, no entanto, demonstram de forma cabal que não conseguiremos avançar confiando apenas em ações repressivas. Sem nos esquecermos do papel das famílias na educação, precisamos melhorar urgentemente a educação brasileira. Cidadãos educados e eticamente preparados são a maior esperança de um país que, atualmente, tem um quadro de corrupção que desanima até mesmo o mais otimista dos brasileiros.