Sobrevivência urbana em caso de ataque terrorista; a necessidade de uma “vida tática”?

Hoje é uma data triste para a Europa e em especial para a França, pois no dia 13 de novembro de 2015 acontecia um dos maiores atentados terroristas em solo europeu de todos os tempos, que foi em fato, uma série de atentados realizados em varios locais, sendo que em um deles, o Estadio de France, acontecia um grande jogo de futebol com dezenas de milhares de pessoas presentes, mas que felizmente não teve sucesso para os terroristas. Jà outro local infelizmente teve o azar de ser um dos alvos dos terroristas, justamente pela aglomeração de pessoas em um espaço de pequenas dimensões, a casa de shows “Bataclãm”.
Essa data, assim como outras não pode ser esquecida, pois se tratou de mais um atentado islâmico que vitimou centenas de civis inocentes e deixou outras centenas de feridos graves, feridos estes de diversas nacionalidades que jamais imaginavam que poderiam vir a ser vitimas de um ataque em uma cidade de 1o mundo, longe de qualquer zona de conflito.
Isso serve para nos mostrar que, não estamos imunes à riscos seja aonde for. Sendo assim vale a pela relembrar uma série de fatos e procedimentos para saber o que fazer em caso de estarmos em uma ocorrência de ataque terrorista. Saber o que fazer na hora certa pode sempre ser a diferença nos momentos mais criticos.

No mosaico de fotos temos quatro exemplos de ataques dos ‘ultimos anos ocorridos pelo mundo que deixaram grande numero de vitimas civis; o atque de natal em Berlim de 2016, o atentado ao Bataclam em 2015, o atentado à boate gay de Orlando em 2016 e o ataque/assalto à transportadora de valores em São Vicente em 2016.

Por Yam Wanders

Assalto a uma grande transportadora na baixada santista teve
cenas de guerra urbana com explosões e intensos tiroteiros
com armas de grosso calibre, deixou diversos feridos
entre PM´s e civis que passavam desapercebidos
do que se passava, a perseguição tomou conta de boa
parte da cidade e causou estragos materiais significativos.

Mais uma vez acompanhamos pela TV as notícias de mais um atentado terrorista praticado por extremistas islâmicos, e desta vez dentro dos Estados Unidos em uma região inimaginável como alvo para tal tipo de ação. Na França um casal de policiais foi morto dentro de casa por um terrorista islâmico (fora a onda de convulsão social causada pelas massas de imigrantes que se utilizam do status de refugiados para lá permanecer e apoiar grupos radicais) e outros ataques continuam acontecendo pelo mundo afora, já não bastasse os riscos de acidentes urbanos, industriais e catástrofes naturais de diversas dimensões a que estamos sujeitos seja aonde for pelo mundo afora.

Nossa realidade brasileira, ao meu ver, não tem muita diferença quando efetuamos comparações nas ações do crime organizado de diversas “facções” que aqui tem na prática uma conotação terrorista que, mesmo teoricamente tem o estado como alvo mas a intenção atinge sim a população civil no final, obviamente em torno da “causa” de busca de riquezas e poder para essas organizações criminosas que tem suas atividades apoiadas por certas parcelas da população civil com a desculpa das desigualdades sociais reinantes na nossa atualidade. O assalto a uma unidade de uma grande transportadora de valores na baixada santista a alguns meses atrás não deixou nada a dever para cenas de guerra ou de um ataque terrorista, entre outros casos.

 

Forças Especiais Brasileiras treinam no metro do Rio de Janeiro, eles estão preparados para o que lhes compete. E você está? Imagem via Ministério da Defesa.

*Observação importante: fica a cargo do bom censo o entendimento de cada um a interpretação do termo “reação” pois como os cenários de uma situação de risco são inúmeros, cada situação é única e não tem em sua intenção primária, incentivar reações a assaltos armados aonde o cidadão esteja em óbvia desvantagem tática, ou, tentar apagar um incêndio de um posto de gasolina com apenas um extintor de CO².


Objetivo

O ponto final do objetivo desse artigo é exemplificar um cenário que está cada vez mais comum no âmbito dos ataques terroristas e que certamente ocorrerá novamente em algum lugar do mundo ou em vários, e no caso do Brasil, já temos nossos “ataques terroristas” quando ocorrem assaltos a bancos, disputas entre facções criminosas por controle de áreas urbanas, e ao meu ver, um ataque de extremistas religiosos islâmicos contra civis é apenas questão de tempo e /ou interesse, pois ameaças já foram feitas publicamente e as autoridades brasileiras e de nações amigas nunca descartaram essa possibilidade de ação em nosso país.

E dentro desse cenário exemplificado, será destacado uma série de recomendações de segurança de como agir nesses casos, desde a prevenção até, quando inevitável, uma reação inteligente dentro das possibilidades humanas dos cenários hipotéticos.

Tão grave ou pior quanto um ataque à tiros é um ataque com utilização
de armas químicas com gases tóxicos como o que foi efetuado em Tókio
nos anos 90. Imagem via Ministério da Defesa.

Após analisar diversos documentos e manuais recentemente divulgados por órgãos governamentais e outros especialistas independentes, listamos uma série de ações que se usadas com inteligência e responsabilidade, podem salvar vidas e minimizar as consequências de possíveis ataques terroristas e também de outros tipos de cenários de acidentes e catástrofes.

Lógico que é bom salientar que estar em estado de alerta e vigilante é uma situação bem diferente de estar “paranóico”, estado de alerta tem muito a ver com consciência situacional, ser prudente na previsibilidade de situações possíveis com frieza inteligente.

Um exemplo claro de falta de consciência situacional é que mesmo em tempos de informação abundante e diversa, pessoas ainda saem de casa sem ao menos prestar atenção aos noticiários e programas informativos de situação de trânsito e não se antecipam aos previsíveis congestionamentos de trânsito nas grandes cidades.

Em sequência de importância destacamos as seguintes ações pessoais durante um ato terrorista em curso ou já consumado :

1- Escapar.

2- Esconder-se.

3- Alertar.

4- Primeiros socorros.

5- Permanecer atento. 

Acima um modelo de um cartaz auto-explicativo de uma recente campanha do governo da França voltado para a informação de ações em caso de ataques terroristas que é amplamente difundido. Países da Europa como França e Grã-Bretanha já sofrem com o terrorismo a décadas, apesar da tranquilidade no que toca o ambiente quanto a criminalidade comum, recentemente só incrementada devido a imigração em massa, os europeus sempre tiveram uma cultura de ações em caso de ataques terroristas muito eficiênte, sendo superado apenas por Israel.

As ações

1- Escapar:

– Ao adentrar qualquer prédio ou edificação, tenha sempre em mente a memorização de seus percursos, prováveis e possíveis rotas de fuga ou saídas de emergências sinalizadas ou não. Desde uma porta e/ou saída de emergência de incêndio até uma janela que possa ser quebrada com objetos disponíveis, a fuga é sempre a opção mais inteligente e que pode ajudar a outros de maneira mais eficiente. Quando em um grupo de amigos ou com a família, nunca sinta-se culpado caso consiga fugir em situações de ataques ou sequestros, pois quem foge seja pelo fator que for, é quem sempre consegue chamar ajuda e alertar terceiros sobre o que ocorre em um local. Quem está de fora quase sempre consegue ajudar mais do que quem está dentro de um local onde ocorre um ataque terrorista.

2- Esconder-se:

– Em qualquer local, sempre analisar de forma rápida e objetiva, locais que possam fornecer abrigo. Lembramos sempre o exemplo de países que possuem o risco iminente de terremotos, como o Japão e Chile, onde desde o pré-primário as crianças já aprendem a como se proteger em caso de terremoto se abrigando embaixo de  mesas e móveis, também podemos nos imaginar em situações de ataques nos mais diversos locais de nosso dia a dia. Saber como trancar portas e fazer barricadas com móveis é uma maneira eficiente que ajude a criar dificuldades para possíveis agressores que sempre vão procurar o que está mais fácil e rápido para atacar. Afastar-se de portas, janelas e aberturas óbvias, assim como saber bem escolher obstáculos sólidos que ofereçam razoável proteção. Apagar luzes e aparelhos elétricos/eletrônicos, desligar celulares, rádios, tv´s, etc… Tudo que possa oferecer dificuldade a um agressor terrorista, fará com que ele procure se evadir para procurar outros alvos ou tentar escapar das forças de ordem locais.


3- Alertar:


– Alertar sobre o que se passa em uma situação de ataque terrorista, entre outras, é uma ação que requer frieza e controle, a maioria das pessoas expostas ao stress de situações de ataques tem a tendência de exagerar na emoção no afã inconsciente que isso fará com que as autoridades ajam com mais rapidez e eficiência, esquecendo detalhes que realmente podem ser importantes para a definição da ação das forças de ordem. O básico e importante nessas situações é sempre informar o local, número aproximado de pessoas presentes, quantidade de possíveis terroristas e tipo de armas que portam.


Outra situação importantíssima é que em caso de ataque em curso e o cidadão consiga empreender fuga de um local sob ataque, jamais correr em direção aos efetivos das forças de ordem em busca de abrigo ou imaginando receber proteção imediata, pois quando o ataque ocorre ou está em curso ainda, todos os presentes no local são e serão considerados suspeitos de colaboração com o ataque até que se prove o contrário (Obviamente temos que ter o bom senso que a Polícia, por mais eficiente que seja, não tem com adivinhar e/ou prever todos os cenários e seus participantes). Tão eficiente e necessário quanto alertar as forças de ordem é alertar pessoas presentes próximas que não visualizaram a situação em curso e orientá-los a fugir na direção oposta ao local da ocorrência. E sempre importante relembrar; ao avistar forças de ordem, levante bem as mãos para que haja a certeza que não se está armado.


Uma observação muito importante é de jamais postar informações em redes sociais sobre o ataque em curso, pois isso alimenta fabricantes de boatos e faz com que curiosos se desloquem ao local dos acontecimentos. 


4- Primeiros Socorros:

Independente do tamanho, é sempre melhor ter e não
precisar, do que precisar e não ter. Hoje em dia quase
todo cidadão porta alguma mochila ou bolsa que pode
conter espaço para um Kit pequeno de PS e existem até
kits de 1°s socorros que cabem em pochetes. Acidentes
não escolhem hora ou local para acontecer, não importa
se estamos indo ao trabalho na Av. Paulista ou viajando
para o interior do Mato Grosso em férias. Quando em
caso de um sangramento intenso, 5 minutos de ação pode
ser a diferença entre a vida e a morte de uma vítima.


– Nesse caso não será aprofundado em detalhes as ações, pois o mais lógico é de bom senso é que todos procurem informações detalhadas através de cursos ou leitura de bom material didático, mas o básico pode ser descrito da seguinte maneira; tiroteios causam sempre dois tipos de ferimentos; lacerações quando os projéteis atingem de raspão as partes do corpo ou perfurações quando em impacto direto. Sendo assim a preocupação maior é sempre em evitar a perda de sangue da vítima sem se preocupar com outros problemas como membros fraturados ou queimaduras (que podem ser tratados oportunamente pelo SAMU ou no hospital). Caso não se tenha um kit de 1os socorros à mão, o mais importante é usar qualquer tecido disponível (roupas, toalhas, papel higiênico, sacos plásticos, etc…) o importante é tampar as perfurações e evitar perda de sangue das vítimas enquanto o socorro não chega ou não há como remover a vítima a um pronto socorro.

5- Permanecer atento:


– Em muitos casos observados pelo mundo, terroristas nunca estão solitários em suas ações, e existem também os casos de explosivos com dispositivos de retardo que só são acionados quando da chegada das forças de ordem e serviços de salvamento, justamente para causar mais vítimas e desorganização em um cenário já caótico quando do ataque, seja com a ação de tiroteios ou explosões de bombas. Em muitos países de 3° mundo, os serviços de segurança e de salvamento carecem de doutrina e disciplina, o que acaba causando também tantos estragos quanto o ataque em si. É muito comum o relato de pessoas que são vítimas das forças de ordem quando em incursões mal organizadas para resgate de vítimas e até mesmo atropeladas por carros de bombeiros e ambulâncias que chegam ao local dos ataques. Segurança após um ataque terrorista só mesmo quando se está já na sua casa.

Uma das muitas imagens da situação de atendimentos de vítimas no ataque da casa noturna Bataclan em Paris, muitos não sabiam o que fazer e até mesmo atrapalhavam as ações dos bombeiros e resgatistas, situação essa que poderia ser piorada caso houvesse outros atiradores escondidos ou a detonação de algum explosivo ou ataque com veículo com os que estão acontecendo em Israel, em um caso como esse ninguém é obrigado a ajudar se não sabe o que fazer, mas permanecer no local só atrapalha quem está ali para salvar.

 

Matéria publicada originalmente no site e blog “Orbis Defense” na quinta-feira, 16 de junho de 2016.

Sobrevivência urbana em caso de ataque terrorista, a necessidade de uma “vida tática”?

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1 COMENTÁRIO

  1. Excelente materia! Nos grupos de midia social em que participo, prego sempre a preparacao na iminencia de ataques terroristas e de guerrilha, cujo braco armado hoje no Brasil sao as faccoes.

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