SpaceX coloca mais 60 satélites Starlink em órbita

Apenas 5 dias após o lançamento que levou dois astronautas ao espaço, a SpaceX cumpre mais uma missão com um foguete Falcon 9, desta vez configurado para posicionar 60 satélites Starlink na órbita LEO (órbita baixa terrestre). Denominada “Starlink 7”, esta é a oitava missão de lançamento de starlinks, ela deveria ter ocorrido em maio, mas foi adiada por questões meteorológicas.

O Falcon 9 decolando para cumprir a Missão Starlink-7. Fonte: SpaceX

O Falcon 9 decolou do Complexo 40 (SLC 40) de Cabo Canaveral às 21h25 no horário da Flórida (22h25 em Brasília) e apenas 02:40 minutos após o lançamento a separação de estágios ocorreu, com o primeiro-estágio retornando para o pouso na Balsa Autônoma “Basta Ler As Instruções”, posicionada no Atlântico. O pouso foi um sucesso e pode ser acompanhado pela live sem a já tradicional perca de sinal.

O primeiro estágio aterrado na Balsa Drone “Basta Ler as Instruções”. Fonte: SpaceX

Esta foi a quinta missão cumprida pelo primeiro-estágio empregado, já veterano de duas missões Starlink e de outros dois lançamentos; vale ressaltar que o reuso dos blocos é o principal diferencial do modelo de negócios da SpaceX e o que a confere um dos menores custos operacionais para lançamento de carga no espaço.

Os satélites foram implantados em órbita elíptica 15 minutos após o lançamento, onde ficarão por um período de tempo para que os engenheiros da empresa possam realizar testes e análises de dados, garantindo que todos estejam operacionais. Concluídos os testes, os satélites podem utilizar seus propulsores de íons para ascender às suas órbitas pretendidas, a 550 km de altitude.

Deploy dos starlinks em órbita elíptica. Fonte: SpaceX

Os satélites starlink caíram nas graças dos amantes da observação estelar e do público em geral devido a possibilidade de serem visíveis a olho nu durante sua travessia em meio ao céu estrelado, porém, a novidade não agradou muito a comunidade científica focada no estudo astronômico; o problema é que justamente pelos satélites serem muito brilhantes e visíveis, deixam uma trilha espessa em fotografias de longa exposição utilizadas para o estudo dos astros, prejudicando as observações espaciais. A SpaceX prometeu resolver esta questão, e o diferencial dos satélites lançados na missão Starlink 7 é o emprego de um equipamento chamado “VisorSat”, capaz de bloquear o reflexo da luz solar pelos satélites, evitando assim que sua magnitude favoreça sua visualização e seu aparecimento em fotografias de longa exposição.

O Projeto Starlink tem como objetivo a universalização do acesso à internet com fornecimento de conexão para qualquer ponto do planeta, incluindo áreas remotas, através de uma extensa constelação de satélites cobrindo todo o globo. Elon Musk afirma que 800 deles em órbita já são capazes de fornecer uma cobertura moderada, mas que a SpaceX deve lançar entre 12 e 42 mil unidades ainda esta década.

Para entender um pouco melhor o que é o Projeto Starlink, temos uma matéria aqui: “Decifrando o Projeto Starlink: Como Elon Musk quer universalizar o acesso à internet”

 

 

Sobre o Autor
Mateus de Paula Vieira é Engenheiro Aeroespacial e Pesquisador, é Colunista no DefesaTV desde maio de 2020. Escreve principalmente sobre Tecnologia Aeroespacial e projetos acadêmicos de foguetes e aeronaves.
Laboratório de Jato Propulsão / Bravo Rocket Team – Univap. bravorocketteam.github.io/homepage

 

 

 





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