Suez Canal Authority poderá cobrar US$ 1 bilhão da empresa proprietária do Ever Given

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O navio Ever Given manobrando com auxílio de rebocadores no dia de sua liberação. Imagem via Suez Canal Authotity.

De acordo com matéria investigativa do Wall Street Journal, os proprietários do navio Ever Given terão que pagar uma soma vultuosa para compensações do período no qual o canal ficou bloqueado, o que causou prejuízos com multas compensatórias às outras empresas usuárias do canal e pelas despesas da mega operação de desencalhe do navio.
Ainda de acord com a matéria do The Wall Street Journal, o navio permanecerá sob custódia da empresa que administra o Canal de Suez e do Governo Egípcio, até que a indenização seja paga. O Egito perdeu US $ 95 milhões apenas em taxas de trânsito durante o fechamento de seis dias.

“A embarcação permanecerá aqui até que as investigações sejam concluídas e a indenização seja paga”, disse Osama Rabie, presidente da Autoridade do Canal de Suez, à televisão estatal do Egito na quinta-feira.

“Esperamos um acordo rápido”, disse ele. “No minuto em que concordarem com a compensação, o navio poderá ser liberado.”

Rabie não disse na quinta-feira a quantia que as autoridades egípcias estão buscando como compensação. Mas ele disse na semana passada que o Egito exigiria US $ 1 bilhão pelo custo da operação de liberação do navio, a perda de taxas de trânsito, uma importante fonte de divisas para o Egito, e outros custos com o bloqueio do canal, o que causou um engarrafamento de mais de 400 navios em cada lado do canal.

Aparentemente, US $ 1 bilhão é uma compensação relativa em comparação com o que o Egito perdeu enquanto o Ever Given estava congestionado no Canal de Suez, bloqueando todo o tráfego. A empresa estatal continua afirmando em suas mídias sociais a sua grande confiabilidade dentro de padrões internacionais reconhecidos pela IMO (International Maritime Organzation) e dando a entender sutilmente que o incidente jamais aconteceria sem uma eventual situação “muito anormal” na condução de embarcações dentro do canal.

Isso não inclui o custo dos reparos que terão que ser feitos no próprio canal ou as horas extras para as pessoas que ajudaram a libertar o navio de contêineres monstro. Os proprietários japoneses do Ever Given dizem que estão atualmente em negociações com o Egito, mas ainda ninguém lhes disse oficialmente que o navio está sendo mantido como garantia.

Shoei Kisen Kaisha Ltd., o proprietário japonês do Ever Given, disse não ter ouvido oficialmente das autoridades egípcias que eles não iriam deixar o navio partir a menos que a empresa concordasse com uma compensação, de acordo com o porta-voz da empresa Ryu Murakoshi.

“É verdade que estamos no meio de negociações com eles”, disse ele, enquanto se recusava a dizer qual indenização a empresa estava sendo solicitada a pagar. Ele disse que a empresa estava cooperando com a Autoridade do Canal de Suez na investigação.

O navio foi liberado em 29 de março e transferido para o Great Bitter Lake, uma espécie de área de espera dentro do Canal de Suez. A embarcação permanece no lago, junto com sua equipe de 25 pessoas, desde então. Durante esse tempo, a Shoei Kisen Kaisha Ltd fez tudo o que pôde para se proteger de responsabilidades.

A investigação sobre como o Ever Given ficou preso no canal está em andamento e a principal questão de responsabilidade paira sobre uma provável negligência da tripulação indiana e também sobre uma provável ausência do comandante do navio, de identidade ainda desconhecida, não se sabe se é homem ou mulher, e que estaria em terra fazendo turismo e deixou o navio sob controle de oficiais subalternos da tripulação que também teriam se ausentado da embarcação e repassado a manobra para outros subalternos.

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Especulações de jornais de países do mundo árabe chegaram a acusar falsamente uma capitã egípcia

Marwa Elselehdar, está recebendo por um papel que ela nem mesmo desempenhou no evento. Elselehdar, de 29 anos, é a primeira mulher capitã de navio do Egito, e quando o Ever Given bloqueou o Canal de Suez, ela percebeu que as pessoas a estavam colocando no centro do fiasco.

As pessoas estavam usando as redes sociais para compartilhar uma imagem de captura de tela adulterada de uma manchete do Arab Times, que afirmava que ela estava no comando do navio no momento em que ele ficou preso.

Parecia que a manchete tinha sido alterada de um perfil de 22 de março de Elselehdar elogiando seus sucessos. A notícia foi um choque para Elselehdar, que estava trabalhando como imediato no navio Aida IV perto de Alexandria, que fica a centenas de quilômetros de distância.

E não foi só isso. As pessoas começaram a fazer contas no Twitter com o nome dela assumindo a responsabilidade e ainda espalhando os falsos rumores.

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