Tendencia que após acordo com a Boeing, área de defesa da Embraer venha a crescer

A venda da aviação comercial da Embraer para a Boeing deverá vir acompanhada de compromissos em relação à sustentabilidade de longo prazo do negócio de defesa da fabricante brasileira de aeronaves, na avaliação de especialistas. Para conseguir aprovar a operação com a Boeing, será importante mostrar a todas à partes interessadas (“stakeholders”) que a Embraer S.A. remanescente, formada pela área de defesa e pela aviação executiva, conseguirá andar com as própria pernas e ser uma empresa lucrativa no médio prazo.

Outro ponto relevante para conseguir a adesão dos acionistas à operação com a Boeing será o pagamento de dividendos extraordinários aos investidores da Embraer, como mostrou o Valor na semana passada. O objetivo de tornar a Embraer S.A. uma empresa sustentável depois da venda de 80% dos negócios de aviação comercial poderá ser alcançada de duas maneiras. Uma delas é pela inserção da companhia em uma política de fortalecimento das Forças Armadas no governo de Jair de Bolsonaro, no qual os militares terão protagonismo.

Bolsonaro já deu sinais de ser favorável à transação com a Boeing, apesar da União possuir uma “golden share” na Embraer que lhe dá poder intervir no negócio. Os militares também têm se mostrado favoráveis à operação até o momento. Mesmo com a crise fiscal do governo, se espera que haja espaço para investimento com a retomada do crescimento da economia e, nesse cenário, a Embraer poderá ser beneficiada. Analistas consideram que até agora era a aviação comercial da Embraer que sustentava a unidade de defesa da companhia.

Uma vez que o ativo mais rentável vendido para a Boeing, a Embraer passará a contar com um novo elemento para desenvolver a sua área de defesa: a maior receptividade que os militares terão governo Bolsonaro, ao atendimento de suas demandas. Há expectativa de que a Embraer se insira ativamente na Estratégia Nacional de Defesa (END), que busca modernizar as Forças Armadas. A empresa poderá demandada na área de compras governamentais e também em esforços de pesquisa, desenvolvimento e inovação não só de aeronaves, mas de satélites e de integração de sistemas de vigilância, além de poder participar no segmento de defesa naval via construção do submarino nuclear.

A outra via para garantir o futuro da Embraer S.A. é fazer com que a Boeing ajude a desenvolver os negócios que ficarão sob a batuta da fabricante brasileira (defesa e aviação executiva). Um especialista disse que poderão haver desenvolvimentos específicos feitos pela Embraer em parceria com a NewCo, joint venture que vai incorporar os ativos de aviação comercial da fabricante brasileira. Na NewCo, a Boeing terá 80% do capital e a Embraer, 20%. Na transação com a Boeing, a divisão de aviação comercial foi avaliada em US$ 5,2 bilhões.

Se for bem-sucedida em sua estratégia, o valor de mercado da NewCo tende a aumentar e, por consequência, a Embraer poderá ter retorno também maior sobre a sua fatia de 20% no negócio. Assim, a Embraer teria mais recursos para desenvolver a defesa e a aviação executiva. Outra variável que será decisiva para o futuro da Embraer é a segunda joint venture, criada com o objetivo de fazer a comercialização global do cargueiro militar KC-390. Nesta parceria, a Embraer tem 51% e a Boeing, 49%. Nesse tipo de acordo, é comum, segundo especialistas, que se dividam os esforços de venda. A Boeing, por exemplo, tem mercados desenvolvidos na Ásia.

Enquanto a montagem do cargueiro para o mercado mundial deve continuar sendo feita em Gavião Peixoto (SP), as unidades para o mercado americano, poderão ser feitas nos Estados Unidos, segundo analistas de aviação. Na visão de especialistas, cada unidade do KC-390 custa entre US$ 80 milhões e US$ 100 milhões. Significa que se houver a venda em um único lote de cinco unidades, a Embraer já conseguiria auferir um bom resultado na parte que lhe cabe de 51% no acordo comercial com a Boeing, disse um consultor.

É esse “conjunto da obra” que os gestores de Embraer e Boeing deverão mostrar aos investidores da fabricante brasileira na assembleia geral de acionistas (AG que tentará aprovar, em 2019, a operação de venda da divisão de aviação comercial da empresa brasileira para a gigante americana. Um analista disse que existem nichos de mercado, como o de aviões turbo-hélice, que podem ser desenvolvidos pela NewCo com a Embraer.

*Com informações do Jornal Valor Econômico

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