TENENTE PAIVA E A PREPARAÇÃO DA FEB 2 – 1944

TENENTE PAIVA E A PREPARAÇÃO DA FEB 2 – 1944

(Segue trecho de palestra de meu falecido pai – Gen Ex Paulo Campos Paiva, veterano da FEB pelo Regimento Sampaio) – Transcrito por Gen Bda Ref Luiz Eduardo Rocha Paiva.

Após a entrega em Caçapava (SP) dos 500 convocados para a FEB, levados desde Salvador (BA), texto recentemente por mim transcrito, sigo transcrevendo outras informações sobre a preparação da FEB.

[Início de transcrição]. Quando chegamos à Unidade [Regimento Sampaio] fomos surpreendidos pela organização do rancho por companhia, logo que nos apresentamos. A confecção dos alimentos nesses moldes, rancho descentralizado por companhias, já fazia parte do treinamento desse pessoal para a guerra. A quantidade de moscas era tão grande, que se comia com uma das mãos, enquanto a outra afugentava os insetos.

Outra surpresa foram os três camburões com água fervendo, para a lavagem e desinfecção
das marmitas, uma vez que, na Escola Militar do Realengo, tínhamos usado farinha para
limpá-las, nos nossos acampamentos de cadetes, onde, por isso mesmo, grassava a
disenteria.

Nova surpresa nos aguardava, pois que imediatamente começamos a tomar uma variada gama de vacinas, exigidas pelos regulamentos americanos.

Nos transformamos num misto de alunos e instrutores, aprendendo com os mais antigos as novas organizações das diferentes frações e do regimento e conhecendo alguns materiais e o seu emprego. Porém, só fomos conhecer a maioria do nosso armamento anticarro já em terras da Itália, no período que precedeu os combates [meu pai foi Cmt Pel AC do I Btl]. Nessa fase, recebíamos instrução de oficiais e monitores americanos, que se encontravam à disposição da Unidade. A atividade era intensa e se podia sentir a aproximação do dia do nosso embarque pata o TO Europeu.

A disciplina, de início muito precária, abarrotando o xadrez da Unidade, foi aos poucos melhorando, mercê de ingentes esforços dos quadros. A intensificação dos trabalhos dos quadros na preparação e na instrução da tropa fez com que esta fosse tomando corpo e a 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE) iniciou sua apresentação ao público, desfilando com a Infantaria Divisionária a 31 de março de 1944 e a 24 de maio com toda a
Divisão, sob emocionantes e entusiásticos aplausos da população do Rio de Janeiro. Prenunciava-se o embarque.

TRANSPORTE PARA O TO NA ITÁLIA

Dois aspectos fundamentais se apresentavam para o êxito da operação de embarque: sigilo
e a perfeita técnica na execução do embarque pela tropa.

Para o primeiro foram utilizadas medidas de despistamento, com deslocamentos de composições de trens, que não seriam as reais composições destinadas ao transporte da tropa que embarcaria no 1º Escalão. Lançaram-se boatos sobre os elementos que constituiriam esse escalão, sobre a data da partida, etc.

Na busca da perfeita execução do embarque, fez-se o treinamento em vagões de uma composição deixada em um desvio na Vila Militar (RJ). Nesse treinamento se fazia o controle individual, verificando: placa de identidade, ficha de saúde, etc. Procedia-se à conferência das relações e se utilizava uma aparelhagem construída com escadas semelhantes às de acesso a bordo, bem como as redes de tombadilho, para efetuar as decidas de emergência.

A 02 de julho de 1944, partiu o “General Mann”, transporte de tropa americano, conduzindo o 1º Escalão e, a 22 de setembro, seguiu o 2º Escalão [onde foi o Ten Paiva].

Os transportes eram escoltados por navios de guerra. Iniciamos vários exercícios de emergência e as tripulações os treinamentos de combate com armas antiaéreas. O permanente uso do salva-vidas era obrigatório e, ao escurecer, a tropa abandonava o tombadilho, procedendo-se ao escurecimento total da nave. Era o momento desagradável, pois o calor nos compartimentos era muito grande e o enjoo de alguns mareados causava
náuseas de desastrosas consequências.

Próximo a Dakar houve uma ameaça real de submarinos, provocando pronta intervenção da escolta, que lançou várias bombas de profundidade. Confesso que esse foi um momento muito pouco agradável. Ameaçados de ser torpedeados, em compartimentos vários metros abaixo do nível do mar.

Bem, nossa tropa venceu brilhantemente essa fase estabeleceu excelente relacionamento com a tripulação dos navios e mereceu calorosos elogios dos comandantes dessas embarcações, pela sua conduta a bordo. [Fim de transcrição]





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