Tropas de elite da Marinha do Brasil: Militares designados para lidarem com atividades de alto risco

Conflitos internacionais estão presentes nos noticiários diariamente. O Brasil não está envolvido em antagonismos mundiais, mas mesmo não vivenciando esse estado é dever das Forças Armadas estarem preparadas para defender o País em qualquer situação que exija força, estratégia e atuação militar. A Marinha do Brasil conta com dois grupos de combate que se diferenciam por sua atuação tática. Eles contam com militares altamente adestrados para situações de risco e que lutam por um único objetivo: a segurança nacional. Mas, para poder fazer parte de alguma dessas especialidades, não basta ser apenas militar. O ingresso já exige, de antemão, preparação física e controle emocional. Depois do árduo e pesado curso de formação, esses militares passam a ser conhecidos como Mergulhadores de Combate (MEC) ou Comandos Anfíbios (Comanf).

São essas duas especialidades da Marinha do Brasil que se caracterizam quanto ao emprego rápido, estratégico, silencioso e certeiro. Eles entram em ação quando o assunto é tarefas especiais. O Grupamento de Mergulhadores (Grumec) e os Comandos Anfíbios (Comanf) são designados para realizar atividades específicas em operações navais. Esses dois grupos brasileiros estão entre as forças táticas mais bem preparadas do planeta, juntando-se às forças especiais British Special Air Service (Serviço Aéreo Especial do Exército da Grã-Bretanha), US Navy Seals (Força da Marinha Norte-Americana), Sayeret Matkal (Unidade de Reconhecimento Geral da Forças de Defesa de Israel) e Naval Commandos (Força da Marinha da França). Tanto os mergulhadores de combate quanto os comandos anfíbios são considerados tropas de elite mais bem treinadas e eficientes.

Eles chegam a lugares onde ninguém consegue chegar, localizam possíveis ameaças, eliminam alvos capciosos, cumprem ousadas missões de resgate e estão sempre prontos para o combate. No cenário operativo militar, são altamente conceituados e relevantes. Os militares que compõem essas tropas possuem qualificação exclusiva para operar em ambientes de temeridade elevada. Deles são exigidos elevados níveis de adestramento e habilidade para empregarem vários tipos de equipamentos que exigem profissionalismo, competência e precisão. São esses militares que aliam coragem, planejamento detalhado, preparação constante e zelo profissional na condução das atividades que têm como missão.

Para o Contra-Almirante Carlos Eduardo Horta Arentz, mergulhador de combate há mais de 23 anos, engrossar as fileiras desse seleto grupo é estar preparado para as ameaças não tradicionais, em função de sua peculiar e exigente preparação para atuar em ambientes de risco elevado. “Os Mergulhadores de Combate são uma parcela relevante nas operações de controle de áreas marítimas e de interdição marítima e nas operações anfíbias e ribeirinhas, seja atuando nas abordagens não cooperativas, em nossas Águas Jurisdicionais, em ações de retomada de navios ou plataformas de petróleo, eventualmente sequestradas, no resgate de reféns existentes, seja em apoio às operações de paz sob a égide de organismos internacionais.

Além disso, possuem aptidão para serem furtivamente infiltrados em áreas litorâneas e ribeirinhas para executar ações de reconhecimento, sabotagem e destruição cirúrgica de alvos de valor estratégico”, destaca. O Contra-Almirante, Fuzileiro Naval, Rogério Ramos Lage, que já atuou como comandos anfíbios por mais de 25 anos, explica a importância e a singularidade da atuação desses militares, as ações de alto risco desenvolvidas por elementos de operações especiais do Corpo de Fuzileiros Navais.

“Os comandos anfíbios são preparados e adestrados para atuarem nos mais variados ambientes, seja na selva, no pantanal, na caatinga, na montanha e em climas frios e nos mais diversos tipos de operações como, por exemplo, o estabelecimento e a operação de pistas avançadas, zonas de lançamento e zonas de desembarque, atuando como guias aéreos avançados, caçadores, realizando uma infinidade de ações de comando, sobretudo ofensivas, além de ações de vigilância e reconhecimento”, explica. Esses dois grupos de tarefas especiais são capazes de desenvolver atividades específicas, trabalhando, muitas vezes, em conjunto e lutando para resguardar nossos interesses nacionais e defendê-los com estratégia, força e muita habilidade.

Mergulhadores de Combate (MEC)

Não basta ter fôlego. Para se tornar um mergulhador de combate da Marinha do Brasil, é necessário, em primeiro lugar, ter técnica e precisão. Subordinado ao Comando da Força de Submarinos, o Grumec é sediado na Ilha de Mocanguê, em Niterói (RJ). A Divisão de Mergulhadores de Combate foi criada em 1970, após oficiais e praças da Marinha realizarem cursos de mergulho de combate nas Marinhas dos Estados Unidos da América e da França. A partir dos conhecimentos adquiridos nessas experiências militares e mesclando as técnicas operativas de mergulho e as terrestres, foi criada essa unidade operativa, adapta às necessidades da Marinha do Brasil, somando 47 anos de atuação.

No treinamento e desempenho de suas tarefas, esses combatentes são lançados por submarinos, navios, aviões, helicópteros, além de dominarem técnicas específicas na condução dessas tarefas. Dominam uma gama de equipamentos, como paraquedas, embarcações pneumáticas, lanchas de alta velocidade, caiaques, veículos submersíveis, diversos tipos de armamentos, explosivos e de equipamentos de mergulho, estando aptos a se infiltrarem no território inimigo sem serem vistos e, na maioria das vezes, em silêncio. Quando um navio não colabora ou não facilita a abordagem, é aí que entram em ação os mergulhadores de combate.

“Desses militares é exigido certo grau de dificuldade, pois atuam em operações e missões de alto risco. Tenacidade, espírito de cooperação e preparo psicológico são algumas das características inerentes aos Mec´s que atuam nos três ambientes operacionais: mar, terra e no ar”, explica o Comandante do Grumec, mergulhador de combate, Capitão de Fragata Michael Vinicius Aguiar. Entre suas habilidades mais conceituadas, esses militares são treinados para realizar o reconhecimento de áreas costeiras, infiltração de maneira furtiva em locais estratégicos e interrupção de possíveis ataques. Dos principais eventos já realizados no Brasil, esse grupo já atuou na RIO +20, na Copa das Confederações 2013 e na Copa do Mundo 2014.

Para as Olimpíadas Rio 2016, a tropa foi treinada, especialmente, pelos Seals, grupo de elite da Marinha dos Estados Unidos da América, para poderem garantir segurança nacional nesse evento de cunho mundial. Com a possibilidade do aumento das atividades terroristas e de crimes transnacionais pelo mundo, podendo, inclusive, afetar o tráfego marítimo brasileiro e ameaçar as riquezas naturais da nossa “Amazônia Azul”, vislumbra-se a possibilidade de emprego mais intenso do Grumec nas ações de proteção marítima e ribeirinhas, de presença nas fronteiras e, eventualmente, em Operações de Paz.

Comandos Anfíbios (Comanf)

Tarefas arriscadas, precisas e que não permitem erros. Os Comandos Anfíbios são as forças especiais do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil. Eles congregam os fuzileiros navais especificamente preparados para realização de operações especiais, sendo subordinados ao Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (BtlOpEspFuzNav), conhecido como Batalhão Tonelero, pertencente à Força de Fuzileiros da Esquadra.

Surgiu na década de 1970 e tem sede no Rio de Janeiro (RJ). Em suas habilidades táticas, colaboram com o poder naval, realizando missões de reconhecimento, atuando em resgate de reféns, ações de comando, ações de retomada de instalações e inteligência. Para desenvolvimento de suas atividades de combate o BtlOpEspFuzNav, organiza seus militares em efetivos especializados e organizados por tarefas nomeadas de Grupamentos de Operações Especiais, podendo ser constituídos por Equipes de Comandos Anfíbios, Unidades de Comandos Anfíbios ou em Grupos de Comandos Anfíbios, recebendo missões de reconhecimento, combate ou ambas em prol, principalmente, das Operações Anfíbias da Marinha.

Essa estrutura permite a organização por tarefas de grupamentos operativos e destacamentos para cumprir qualquer missão de interesse da Marinha no contexto de operações especiais, inclusive, aquelas relacionadas com a retomada de instalações e o resgate de pessoal. Dentre os mais de 14 mil fuzileiros navais, pouco mais de 400 compõem as operações especiais. “O militar para servir nessa área deve ter coragem, porque ele vai participar de missões arriscadas, de treinamentos especiais com real perigo, seja ao saltar de paraquedas, mergulhar ou operar munição real todo o tempo. Ele tem que ter abnegação e determinação para agir, apesar de todas as dificuldades que encontrará no caminho.

Tem que ter ousadia para fazer aquilo que os outros dizem que não pode ser feito”, comenta o comandante do BtlOpEspFuzNav Capitão de Mar e Guerra Luís Manuel de Campos Mello. Para se tornar um Comanf, oficiais e sargentos Fuzileiros Navais devem realizar o Curso Especial de Comandos Anfíbios, com duração de 22 semanas, que abrange diversas disciplinas de técnicas de infiltração, patrulha e montanhismo. O treinamento operativo e físico é rígido, fazendo com que esses militares lidem diretamente com situações de socorro avançado, combate em áreas urbanas e corpo-a-corpo, sobrevivência no mar e na terra. Eles são capacitados e adestrados para operar em regiões ribeirinhas e no Pantanal, em montanha e clima frio, em regiões semiáridas, selva e em áreas urbanas. “Muitas vezes, as pessoas dizem que as missões são impossíveis, mas, para esses homens, o impossível nada mais é do que algo difícil que será feito”, destaca o comandante do BtlOpEspFuzNav.

Fonte: Marinha em Revista
Publicado em: Nº: 12, Ano: 08, Março/2018
Por: Primeiro-Tenente (RM2-T) Fernanda Mendes Medeiros/Primeiro-Tenente (RM2-T) Natalie Louise Carvalho Neris



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