“Tudo é possível”, revela em entrevista almirante Faller sobre a interferência russa na Venezuela

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O Almirante de Esquadra da Marinha dos EUA Craig S. Faller falou à Voz da América sobre as influências externas no hemisfério ocidental e ressaltou a importância das parcerias na região. (Foto: Comando Sul dos EUA)

Falando exclusivamente em sua primeira entrevista em profundidade desde que assumiu o comando, o Almirante de Esquadra da Marinha dos EUA Craig S. Faller declarou que a Rússia estava agindo como “um urso ferido e decaído, que está partindo para o ataque” contra os interesses democráticos da região. “Eu acho que com a Rússia tudo é possível”, disse. “Nós vimos o que eles fizeram na Síria e eu penso que nós temos que estar preparados para o que possa acontecer no futuro.” Abaixo estão alguns trechos da entrevista:

  • Vamos começar com a Venezuela. Quais foram as opções que lhe solicitaram para a situação da Venezuela?

Estamos focados em apoiar uma solução política e diplomática e, como se deve esperar de um comandante combatente, estamos trabalhando para garantir que os cidadãos e os bens dos EUA, nossos diplomatas que estão lá, estejam seguros. Aí é onde estamos, onde nossos esforços estão concentrados.

  • Ouvimos falar do envio de milhares de soldados à Colômbia – todos viram o memorando do assessor de Segurança Nacional John Bolton. Alguém lhe solicitou que trabalhasse nessa opção, em particular?

Uma vez mais, eu enviaria qualquer pergunta sobre os planos ao departamento, à secretaria do Conselho de Segurança Nacional.

  • O senhor está trabalhando com seus parceiros regionais em um possível plano de missão de manutenção da paz, se for preciso?

Nós nos concentramos na situação que estamos vendo nesse momento, o sofrimento humano, o alívio desse sofrimento diário. Nós fizemos nossa parte no início deste ano com o navio USNS Comfort dos Estados Unidos.

  • Mas as forças de manutenção da paz são uma opção nesse momento?

Estamos observando. Como mencionei, Carla, estamos concentrados no que está acontecendo hoje e nos esforços a longo prazo, depois da transição do governo. Deixarei isso para a política e para os diplomatas. Estaremos prontos para dar apoio quando ele nos for solicitado.

  • Quando o ex-secretário de Defesa Jim Mattis e nós viajamos juntos, ele mencionou a importância de identificar o problema primeiro. Assim sendo, quanto à Venezuela, qual é o problema para os Estados Unidos lá, e o mesmo pode ser resolvido através de uma solução militar?

Creio que se considerarmos o hemisfério de forma mais ampla, essa é a nossa vizinhança, e compartilhamos muitas coisas nessa vizinhança: valores, respeito à lei, democracia, principalmente a democracia, e temos em comum mar, terra, ar, ciberespaço, espaço, todos os setores aqui mesmo, na nossa vizinhança. Assim, observamos nossos vizinhos e vemos que há alguns exemplos evidentes de países que não são democracias: Cuba, Venezuela, Nicarágua, para citar os três exemplos mais evidentes, e o que existe em comum nesses casos é a influência da Rússia, de Cuba e, até certo ponto, da China.

  • O fato de que a Rússia possa fazer algo na Venezuela, como fez na Síria, o preocupa? Vimos como a Rússia apoiou o regime do presidente da Síria Bashar al-Assad. Isso pode acontecer novamente?

Em se tratando da Rússia, tudo é possível. A estratégia de defesa nacional destaca a competição entre Rússia e China especificamente como áreas de enfoque. Realmente nos alinhamos e refletimos muito, planejamos e nos preparamos com recursos para isso, ainda que sejam casos diferentes. A China é uma potência econômica em ascensão e tem um interesse econômico e comercial legítimo em todo o mundo. No entanto, não obedece às regras. A Rússia, por outro lado, age como um urso ferido e decaído, que está partindo para o ataque, e eu não posso prever o que a Rússia fará e não gostaria de fazê-lo. Vimos o que fizeram e creio que precisamos estar preparados para o que possa suceder no futuro.

  • A respeito da derrota do Estado Islâmico na Síria e no Iraque, o seu antecessor tinha avisado sobre o risco de que esses combatentes estrangeiros que saíram da sua área de responsabilidade pudessem voltar. O senhor viu isto?

Nisto estamos. Estamos observando isto estreitamente. Nós tivemos um número significativo de combatentes estrangeiros que saíram de algumas das nossas nações caribenhas e foram para a Síria. Vimos que alguns voltaram. Nós trabalhamos com as nações parceiras para impedir alguns ataques, com muito sucesso. Estamos observando essas questões todos os dias e temos elementos do Hezbolá libanês…

  • O secretário de Estado Mike Pompeo disse que há células ativas na Venezuela. O senhor viu isso também?

O longo braço do crime iraniano está em todas as partes do mundo e seu substituto, o Hezbolá libanês, se encontra justamente na extremidade desse braço.

  • Então, estão na Venezuela?

Tenho o maior respeito pelo secretário de Estado e ele fala a verdade com convicção.

  • Com informações do sire Diálogo das Américas

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