Uma Reflexão sobre o Nióbio e o Brasil – José Benedito de Barros Moreira

Uma Reflexão sobre o Nióbio e o Brasil

José Benedito de Barros Moreira

Preâmbulo

É importante frisar que esse texto elaborado pelo General Barros Moreira é um resumo, resultado de pesquisa junto a diversos artigos e estudos que consultou, disponíveis ao público, e que não foram mencionados pelo referido oficial, pois seu objetivo era tão-somente esclarecer a dúvida de um confrade. No entanto, a dissertação, a análise, a conclusão e a forma de expor a questão foram da lavra do General Barros Moreira onde nossa instituição tem a honra de publicar.

 José Ananias Duarte Frota – Cel BM R1 (ESG-CAEPE) Delegado da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra no Estado do Ceará.

Uma Reflexão sobre o Nióbio e o Brasil

Muito se tem falado sobre o nióbio e sua importância para a economia brasileira.

Tratarei, em poucas linhas, de apresentar alguns dados objetivos sobre esta questão.

O nióbio é o elemento químico de número 41 na Tabela Periódica. Classificado como um metal de transição, sua presença na crosta terrestre é rara, em relação a outros minerais.

Das reservas mundiais ativas de nióbio, 98,4% estão no Brasil, no Canadá, 1,11% e na Austrália, 0,46%. Ainda não exploradas, há reservas de nióbio na Rússia, EUA e no continente africano.

As reservas brasileiras são de 842 milhões de toneladas e estão localizadas em Minas Gerais (Araxá e Talita), Goiás (Catalão e Ouvidor) e Amazonas (São Gabriel da Cachoeira e Presidente Figueiredo). Essas reservas seriam suficientes para suprir por dois séculos a demanda mundial.

Desde a década de 1930 descobriu-se que a liga com nióbio tornaria o aço mais flexível e resistente. Somente com a descoberta das minas de Araxá esse processo foi viabilizado, pois até então o nióbio não estava disponível em escala comercial.

Associado à empresa americana Molycorp, o grupo Moreira Salles fundou a CBMM- Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, ainda hoje a maior empresa de nióbio do mundo, fabricando e exportando todos os produtos derivados daquele metal.

Em 2018 a CBMM produziu 109 mil toneladas de nióbio para mais de 60 países. Nove entre dez compradores são fabricantes de aço. O aço de alta qualidade recebe uma adição de 0,01% a 0,10% na liga metálica.

Além do aço, a utilização principal do nióbio ocorre na construção civil, em dutos de óleo e gás, turbinas de avião, na indústria automotiva, produtos eletrônicos e indústria química.

O valor do quilograma de nióbio varia de 40 a 50 dólares americanos, preço estabelecido com cada comprador, já que não é uma commodity.

Surge a pergunta: se o nióbio é tão importante e necessário, seria possível impor um preço maior pelo Kg de nióbio?

Respondendo esta questão, temos que em primeiro lugar dizer que o nióbio é importante, mas não é insubstituível. O vanádio e o titânio poderiam cumprir a mesma função. Em alguns casos o nióbio também pode ser substituído pelo tungstênio, tântalo ou molibdênio.

Em segundo lugar, as reservas do Canadá e Austrália, embora muito inferiores às nossas, poderiam suprir a demanda mundial por dezenas de anos.

Ademais, o preço mais elevado também propiciaria a entrada em operação de minas em vários lugares do mundo.

Como foi mencionado, o lucro da exploração e exportação de nióbio fica com empresas privadas e não necessariamente com o Estado brasileiro.

A CBMM, por exemplo, cumpre um importante papel na economia nacional, gerando 1.800 empregos diretos, lucrando cerca de 1,7 bilhões de reais/ano.

Ao Estado brasileiro cabe a parcela de 2% dos royalties sobre o valor do nióbio exportado, valor este comparativamente baixo em relação aos 10% que a Austrália recebe de suas empresas.

Em suma, podemos concluir que o nióbio é um metal estratégico e raro. Todavia, é baixo o consumo mundial e não é insubstituível.

O nióbio não é, portanto, uma fonte inesgotável de riqueza e se posiciona em terceiro lugar na exportação brasileira de metais, após o minério de ferro e o ouro.

Tornou-se claro que não cabe pensar em explorar o nióbio da Amazônia, pois além de ser mais caro do que é produzido em Araxá e Catalão, baixaria os preços ora praticados por gerar um excesso de oferta em um mercado estável.

Finalmente, cabe mais uma vez ressaltar que a exploração do nióbio no Brasil é feita por empresas privadas operando sob a legislação nacional.

Espero haver jogado um pouco de luz sobre um tema que ciclicamente retorna à discussão tendo como pano de fundo a questão da soberania nacional, que pelo que foi apresentado está plenamente preservada.

General do Exército Reformado, foi Comandante da Escola Superior de Guerra (ESG), ex-conselheiro militar do Brasil junto à Organização das Nações Unidades (ONU), e ex-titular da Secretaria de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais do Ministério da Defesa, dedicado ao estudo de assuntos da geopolítica mundial e profere conferências a Instituições oficiais ou privadas.



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