Vice-presidente da Embraer, Nelson Salgado, revela que acidentes não afetam negócio com a Boeing

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

O vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Embraer, Nelson Krahenbuhl Salgado, afirmou na manhã desta quinta-feira que os acidentes com o modelo 737 Max 8 da Boeing, que levaram uma série de países e companhias áreas a suspender voos com a aeronave, não têm conexão com as negociações em curso entre as duas companhias. “Não afeta a parceria estratégica com Boeing”, afirmou, em teleconferência com jornalistas. Ainda sobre a parceria, o executivo afirmou que a participação de 20% que a Embraer terá no negócio de aviação comercial, controlado pela Boeing, é relevante.

Quanto a potenciais reflexos na indústria como um todo, o executivo disse que é necessário aguardar os resultados das investigações para saber se haverá algum impacto. A Embraer encerrou 2018 com US$ 16,3 bilhões em pedidos em carteira, abaixo dos US$ 18,3 bilhões de 2017. Contudo, a carteira cresceu quase US$ 3 bilhões em relação ao terceiro trimestre, indicando “reversão do quadro de redução que vinha sendo registrado nos últimos anos”. Para Salgado, a parceria com a Boeing, que deve ser concluída até o fim do ano, trará “um valor muito grande” para clientes, acionistas e funcionários da Embraer, além de preservar os interesses estratégicos do governo brasileiro.

Os preparativos para consumar a operação, porém, terão reflexos no desempenho operacional da Embraer neste ano, afirmou o executivo, e a expectativa é a de os resultados fiquem no ponto de equilíbrio. A companhia já havia anunciado que espera atingir margem Ebit (resultado antes de juros e impostos) consolidada em torno de zero neste ano. “O ano de 2019 será atípico por causa da preparação da empresa para a parecia com a Boeing. Teremos de executar uma série de atividades que vão afetar os resultados operacionais”, afirmou Salgado. “O Ebit não será tão brilhante”.

Conforme Salgado, o grande resultado a ser alcançado pela companhia em 2019 é o fechamento da transação com a Boeing, o pagamento de cerca de US$ 1,6 bilhão em dividendos aos acionistas e a posição de caixa líquido de aproximadamente US$ 1 bilhão ao fim do ano. “Esses são os grandes resultados e foco de toda a nossa atenção ao longo de 2019”, acrescentou. A parceria estratégica, conforme a Embraer passou a se referir ao acordo que prevê a venda da divisão de aviação comercial para a fabricante de aeronaves americana e a constituição de uma joint venture em defesa, envolvendo inicialmente o cargueiro militar KC-390, já foi aprovada pela maioria dos acionistas e pelo governo brasileiro e, agora, depende da aprovação de órgãos antitruste e cumprimento de certas condições precedentes até o fim deste ano.

A joint venture também deve abrir mercados internacionais antes inacessíveis à Embraer, segundo Salgado. “Isso vai trazer resultados muito positivos para a companhia e para as atividades industriais no Brasil no futuro”, afirmou. O KC-390 recebeu no ano passado a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a primeira entrega está programada para 2019. Conforme Salgado, o KC-390 está mudando de fase, do desenvolvimento de produto que demandou esforços na última década para a fase de produção seriada. “Isso é muito importante, uma vez que haverá entregas regulares a partir deste ano”, observou.

Em relação aos Super Tucanos, o executivo comentou que foram realizadas nove entregas em 2018. Embora o modelo não esteja inicialmente contemplado na joint venture de defesa com a Boeing, se houver interesse no futuro, o assunto poderá ser analisado, acrescentou. No quarto trimestre, a Embraer realizou uma baixa contábil de R$ 238,2 milhões em aviação executiva, mas Salgado mencionou dois eventos extraordinários: o acidente com o KC-390 em maio do ano passado, cujo impacto já era conhecido, e uma perda de US$ 61,3 milhões referente ao Linage, cujas perdas vêm desacelerando nos últimos anos. “Fizemos a amortização de recursos direcionados a desenvolvimento”, explicou.

  • Com informações do Jornal Valor Econômico

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