Vistoria de Segurança da Aviação, você sabe como funciona?

As VSA são realizadas por uma Comissão de Vistoria composta por militares do Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Marinha 

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Recentemente a Fragata “Defensora”, foi submetida à Vistoria de Segurança da Aviação (VSA), sendo ela aprovada para Nível III (1) de Operações Aéreas. Esta inspeção teve o propósito de certificar o navio para operar, em segurança, com helicópteros a partir de sua própria plataforma de voo em proveito das operações navais.

Durante a VSA foram realizados os seguintes adestramentos: Pick-up, VERTREP e Crash no mar e no convoo. A Fragata “Defensora” ficou 11 anos sem operar com aeronaves, e agora, após este longo período sem poder fazer uso de uma aeronave, a Fragata conta novamente com uma importante capacidade operativa.

blankBoas notícias sempre são bem vindas, isso mostra o grau de profissionalismo empregado pelos militares do Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Marinha (SIPAAerM), mas você sabe o que vem a ser uma VSA e o que ela avalia e como é feito? Então, vamos entender juntos este trabalho excepcional.

Criação da Diretoria de Aeronáutica da Marinha e a segurança de voo

Desde os primórdios da criação da Aviação Naval em 1916, a criação da Escola de Aviação Naval, voar era caracterizado pelo espírito empreendedor, romântico, arrojado e de ousadia, naturais para um período onde a aviação ainda engatinhava, despontando como uma nova arma, com inúmeras possibilidades de emprego no cenário militar.

A Diretoria de Aeronáutica da Marinha (DAerM), com sede na cidade do Rio de Janeiro-RJ, foi criada pelo Decreto nº 15.847, de 18 de novembro de 1922, com a denominação de Comando da Defesa Aérea do Litoral, tendo recebido a denominação atual pelo Decreto nº 16.237, de 5 de dezembro de 1923.

O primeiro Diretor nomeado foi o então Capitão de Mar e Guerra Protógenes Pereira Guimarães, que permaneceu no cargo de 1922 a 1924. Em 26 de Novembro de 1924, foi suspenso o Decreto de Criação da Diretoria de Aeronáutica da Marinha, que foi restabelecida, posteriormente, pelo Decreto nº 17.153 de 23 de dezembro de 1925.

blankApós a ocorrência de 11 acidentes graves e cinco acidentes leves, em 1927, foi despertada uma maio atenção da Aviação Naval para a segurança dos voos. Uma das providências tomadas foi a aquisição de paraquedas em quantidades suficientes, de modo a que cada tripulante dispusesse de um. Outra medida tomada, na época, foi a instituição de inspeções semestrais de saúde para aviadores.

Em 1928, foram criadas regras de voo, com o estabelecimento de circuito de tráfego nos campos de pouso. Outro passo importante decorreu da criação do serviço de Correio Aéreo Naval, em 1936, onde se estabeleceu um serviço de rádio comunicação para a informação aos pilotos das condições locais do tempo.

Com a criação do Ministério da Aeronáutica em 1941, e a consequente paralisação das atividades aéreas pela Marinha, coube àquele novo Ministério a ativação de órgãos e estabelecimento de regulamentação destinados às atividades de segurança de aviação no país.

blankEm 18 de outubro de 1972, por meio da Ordem do Dia nº 0013 da DAerM, foi criado o Núcleo do Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Marinha, e dois anos depois, o Ministro da Marinha, em consonância com o Decreto 70050, de 25 de janeiro de 1972, aprovou a Diretriz Interministerial 01/74, para as Instruções Reguladoras do SIPAAerM, com as tarefas de organizar, orientar e supervisionar as atividades de investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos na Marinha, por meio do Ofício nº 1330.

O que a Vistoria de Segurança da Aviação faz?

A VSA é a atividade de prevenção realizada por um elo superior do SIPAAerM em determinada Organização Militar (OM), com o propósito de identificar perigos na atividade aérea, propor recomendações de segurança e definir se a OM está em condições satisfatórias para conduzir ou apoiar operações aéreas com segurança As vistorias têm uma periodicidade a ser cumprida em cada tipo de OM:

blankA cada 12 meses:

  • Base Aérea Naval;
  • Navio Aeródromo (estática e dinâmica);
  • Esquadrões de Aeronaves;
  • Navios homologados para as classes de apoio 1, 2, 3 ou 6 (estática e dinâmica); e
  • OM do setor de Saúde subordinadas à Comando com Seção de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SIPAA), que prestem apoio direto à Unidade Aérea; e Depósito de Combustível.

A cada 24 meses:

  • Navios homologados apenas para as classes de apoio 4 ou 5 (somente estática); e OM com helipontos homologados.

Comissão de Vistoria

As VSA são realizadas por uma Comissão composta por Oficiais e Praças auxiliares, designados pelas SIPAA ou pelo Chefe do SIPAAerM. A Comissão é conduzida por um Vistoriador-Chefe, com antiguidade superior à antiguidade do Titular da OM vistoriada e, para as VSA realizadas em Unidades Aéreas, aperfeiçoado em Aviação Naval.

Em casos especiais, o Chefe do SIPAAerM ou o Titular de OM com SIPAA poderá autorizar exceções ao mencionado anteriormente. Para a composição da Comissão de Vistoria poderá ser solicitada a participação de Oficiais e Praças de outros setores da MB, desde que não sirvam e não estejam destacados na OM vistoriada e que possuam as qualificações necessárias

Vistoria de Segurança da Aviação: Estática e Dinâmica

blankAs VSA realizadas em Navios terão duas fases. A estática pode ser realizada com o Navio atracado, em uma ou várias etapas, compreendendo a verificação da conformidade do Navio com os requisitos previstos para o seu Nível de Operação e Classe de Apoio, e outras verificações que não dependam do suspender.

Estas verificações poderão incluir o guarnecimento de Postos de Voo, cumprimento de listas de verificação, acionamento do PEA e exercícios simulando a operação com aeronave. Ao final dessa fase, o Vistoriador-Chefe define se o Navio está em condições para prosseguir para a VSA dinâmica.

A VSA dinâmica é realizada com o Navio navegando, em uma ou várias etapas, compreendendo a avaliação do desempenho do Navio durante as operações com aeronaves. Para essa fase é prevista a realização de vários exercícios durante os quais os vistoriadores de cada setor buscam identificar perigos. Os seguintes itens podem ser observados durante a VSA dinâmica, condicionados ao Nível de Operação e à Classe de Apoio do Navio:

  • Preparação para as operações aéreas;
  • Patrulha do D.O.E (2).;
  • Simulação de perda de comunicações;
  • Pousos e decolagens diurnos e noturnos;
  • Pick-up (3);
  • VERTREP (4);
  • Reabastecimento da aeronave;
  • HIFR (5);
  • Simulação de crache no convoo ou na pista (6);
  • Acionamento do Plano de Emergência Aeronáutica;
  • Acionamento do Plano Pré-Investigação;
  • Exercício de resgate de tripulantes no mar;
  • Hangaragem e desangaragem de aeronaves; e
  • Instalação de armamento em aeronave.

Ao final da VSA, os vistoriadores se reúnem com o Vistoriador-Chefe, apresentando os perigos identificados, as recomendações de segurança propostas e os seus pareceres sobre os setores vistoriados (“Satisfatório” ou “Insatisfatório”).

blankConsiderando os pareceres individuais dos vistoriadores, o Vistoriador-Chefe fará uma avaliação global do desempenho da OM, classificando a VSA como “Satisfatória“ ou “Insatisfatória”, ou seja, se a OM está ou não em condições de conduzir ou apoiar operações aéreas com segurança.

Havendo discordância do Vistoriador-Chefe quanto ao parecer de algum vistoriador, esta será informada ao elo do SIPAAerM responsável pela VSA, sem, no entanto, alterar o parecer original. Em seguida, será realizada uma reunião de crítica com o Comandante, Diretor ou Chefe e os Oficiais da OM vistoriada, na qual serão apresentados os pareceres sobre cada setor e a avaliação do Vistoriador-Chefe sobre a VSA.

Glossário:

    1. – O navio está autorizado a operar diurnamente com aeronave de forma visual;
    2. – Busca por objetos estranho, que possam vir danificar a aeronave;
    3. – Içamento de carga do convoo;
    4. – Reabastecimento entre navios por via aérea;
    5. – Reabastecimento de aeronave sem pouso;
    6. – Queda de aeronave.


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