A Marinha do Brasil (MB) participou da Nuclear Trade & Technology Exchange (NT2E) 2025, considerada a maior feira de negócios do setor nuclear da América Latina, realizada entre os dias 20 e 22 de maio, no Rio de Janeiro. Organizado pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), o evento reuniu representantes da cadeia produtiva do setor nuclear nacional e internacional, com o objetivo de promover a conscientização da sociedade e estimular o desenvolvimento do setor no Brasil.
Para o presidente da ABDAN, Celso Cunha, a participação da Marinha é fundamental no debate sobre o uso da tecnologia nuclear, especialmente no que se refere à segurança. “A Marinha sempre assumiu um papel de liderança no setor nuclear e não poderia ser diferente quando se fala do mar, a sua casa. É excepcional o trabalho que vem sendo conduzido na segurança do uso da tecnologia nuclear no ambiente marítimo, um tema extremamente novo em todas as áreas e ao redor do mundo. Por isso, é essencial a participação de representantes da Autoridade Nuclear Naval em eventos como este, promovendo discussões sobre regulação e controle do uso dessa tecnologia em águas brasileiras”, destacou.
Diversas Organizações Militares da Marinha participaram ativamente dos debates sobre aplicações nucleares em áreas estratégicas, como energia limpa e saúde. Estiveram presentes a Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (SecNSNQ), o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), a Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (COGESN), a Diretoria de Desenvolvimento Nuclear da Marinha (DDNM) e o Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), que levaram sua expertise em desenvolvimento nuclear para as discussões do evento.
Além da Marinha, os principais atores do setor também participaram da feira, apresentando as novidades do mercado, como a Westinghouse Electric Corporation, a China National Nuclear Corporation (CNNC), a AMAZUL, a Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (NUCLEP), as Indústrias Nucleares do Brasil (INB), entre outras empresas e instituições.
Após a abertura do evento, o Secretário Naval de Segurança Nuclear e Qualidade, Almirante de Esquadra (da reserva) Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, ressaltou a importância da participação em eventos como este para o setor nuclear brasileiro. “Como órgão regulador na área nuclear naval, a presença da Marinha, por meio da SecNSNQ, foi essencial para acompanhar a evolução tecnológica e identificar parceiros estratégicos. Isso nos permite aprimorar a regulação e o licenciamento no ambiente marítimo e fluvial, hoje e no futuro.”
O Diretor do CTMSP, Vice-Almirante (Engenheiro Naval) Celso Mizutani Koga, destacou a importância da Marinha se posicionar entre os principais articuladores do setor nuclear. Segundo ele, a Força reconhece seu papel estratégico para o futuro do País e, por isso, investe no domínio e no desenvolvimento de tecnologias nucleares em território nacional.
“Desde os anos 1970, quando começou o Programa Nuclear da Marinha, temos investido na formação dos nossos profissionais, no desenvolvimento de tecnologias próprias e na construção de uma base científica forte e independente. Tudo isso é feito com base em valores como excelência, independência tecnológica e o compromisso com os interesses do nosso País.”
Marinha lidera debates de ponta na NT2E 2025
No primeiro dia do evento, o painel sobre o futuro do Programa Nuclear Brasileiro contou com a mediação do Contra-Almirante André Conde, do Gabinete de Segurança Institucional, e palestra do Diretor do CTMSP, Vice-Almirante (Engenheiro Naval) Celso Mizutani Koga. Na sequência, o Diretor do CINA, Capitão de Mar e Guerra (Engenheiro Naval) Mário Alves, apresentou um panorama sobre o cenário do combustível nuclear no País.
O segundo dia foi dedicado às discussões sobre o uso da energia nuclear no setor naval e na indústria do petróleo. O painel, moderado pelo Secretário Naval de Segurança Nuclear e Qualidade, Almirante de Esquadra (da reserva) Petronio Augusto Siqueira de Aguiar, abordou temas como descarbonização marítima, uso estratégico da propulsão nuclear e exploração de recursos em águas profundas.
No terceiro dia, a Marinha participou de três painéis. O primeiro, sobre oportunidades de negócios, discutiu os impactos econômicos da conclusão de Angra 3 e da extensão da vida útil de Angra 1 e 2. O Diretor da DDNM, Contra-Almirante (Engenheiro Naval) Sérgio Luis de Carvalho Miranda, foi um dos palestrantes.
No painel sobre propulsão nuclear, o Gerente do Empreendimento Modular de Obtenção de Submarinos da Marinha do Brasil, Contra-Almirante (Engenheiro Naval) Otávio Henrique Paiva Martins Fontes, apresentou os avanços e benefícios dessa tecnologia para a MB e para a Marinha Mercante.
Encerrando a programação, no painel sobre regulação de Small Modular Reactors (SMRs), o Superintendente de Segurança Nuclear da SecNSNQ, Contra-Almirante (Engenheiro Naval) Ivan Taveira Martins, conduziu os debates sobre segurança e inovação, com participação do Dr. José Antônio, especialista da SecNSNQ.
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